Aventuras de Aliny - final
às
15h14
por
Sheila Vieira
*Ainda não leu as duas primeiras partes do relato de Aliny no Brasil Open? Veja então os posts abaixo.
Por Aliny Calejon
Sexta-feira: Como a maioria, nunca fui de simpatizar com o Almagro, que jogaria a primeira partida contra o Berlocq. Esse ódio sumiu em 5 minutos vendo o espanhol jogar ao vivo, tão de perto. Achei lindo o estilo de jogo e automaticamente virei fã. Passei o jogo inteiro gritando “VAMOS NICO!” e, numa dessas, ele percebeu e mandou um fist-pump. O negócio estava ficando sério. EU SEI QUE AÍ PINTOU UM CLIMA, NICO.
Na partida de Mello/Feijão, sai para assistir a única partida das secundárias, de Farah/Cabal x Simon/Chardy. Consegui acompanhar os franceses sendo, infelizmente, eliminados. Numa dessas, Tulasne, o careca malvado, teve as manhas de me chutar enquanto descia a arquibancada. Além de não me dar um autógrafo, o cara me chuta! É mole?
Com a chuva que caía, fiquei no local e, para a minha surpresa, a dupla (sim, Bruno e Booty) apareceu para treinar. Claro que assisti e, quando a chuva parou, parti para a central, onde presenciei a cena do público feliz, orgulhoso, cantante e algumas vezes irritante. Sim, é o Bellucci x Mayer, que encerrou o dia cheio de drama.
Sábado: Concorre com terça-feira no quesito ‘aleatoriedade’. Esse foi o dia que mais lotou o ginásio. Cheguei a assistir Almagro x Ramos de pé, enquanto observava muitos fazendo o mesmo ou sentando nas escadas. O único que faltava para eu pegar autógrafo era justamente o Almagro. Após a partida, fiquei esperando-o nos portões, perdendo o começo de Bellucci x Volandri. Muitos minutos depois, Nico saiu da sala de imprensa, para minha felicidade. Corri e tietei. Ele continuou com minha caneta na mão, assinando para todos. Fiquei feliz por ter finalmente pego o autógrafo, mas lembrei da caneta quando ele estava indo embora. Pedi de volta e ele devolveu, com um sorriso no rosto e uma piscadinha. UMA PISCADINHA. Sim, fui seduzida por isso. Foi meu batizado de almagrete. Eu disse que tinha rolado um clima... Ô espanhol, larga a noiva aí, rapaz. Gritei um “AI QUE FOFOOOOO” como se fosse uma fã de Menudo e o Nico, que estava indo embora, olhou. Coisas que nunca imaginei que faria. Ah, o Brasil Open.
Voltei para o jogo do Thomaz, que perdia o segundo set. O primeiro projeto de pessoa que xingou o Bellucci de amarelão na minha frente, mandei um sonoro “CHUPA, IDIOTA” no belíssimo ponto seguinte do brasileiro.
Thomaz perdeu e o público que lotava o ginásio esvaziou em minutos, deixando injustamente os jogos de duplas com, no máximo, 200 gatos pingados. Eu estava de cadeira inferior e, como até a bancada dos jornalistas estava vazia, sentei lá ao lado da Sheila para ver Bruno/Booty x Farah/Cabal melhor, porque afinal eu sou uma stalker de duplistas profissional. Ali pude mostrar o quanto sou parcial, gritando “COME ON BOOTY” e “VAMOS BRUNO” em cada ponto da partida. Sou muito jornalista, me apavoro.
No final de cada partida, os vencedores chutavam 4 bolas para a torcida. Na última bola, a bancada conseguiu chamar a atenção de Bruno Soares. Ele viu a gente. Ele me viu. Apontou e chutou a bola (bela mira hahaha) que foi parar na minha mão. A única não-jornalista ali acabou pegando a bola. A dignidade foi pro saco naquele momento, eu ri DEMAIS junto com o pessoal que estava por lá. Seguir os ídolos vale a pena, viu, gente?
O Alexandre Cossenza nos clicou por lá.
Foi a última e a maior fanfarronice da semana, que foi selada no domingo com a vitória da dupla-do-mineiro-e-do-americano-que-segui-demais-aliás-desculpa-vocês-dois-por-isso e do Nico-sedutor. Que venham mais fanfarronices no ano que vem.
(Sheila escrevendo a partir de agora)
Espero que vocês tenham gostado do relato da Aliny. É bom ter uma perspectiva de quem é fanático por tênis, mas também pode pedir autógrafos, tirar fotos e 'stalkear', enfim, aproveitar totalmente o torneio. Como prometido, em breve postarei o relato da Luciana Silveira, que acompanhou os últimos dias do Australian Open.
Aventuras de Aliny - parte 2
às
14h49
por
Sheila Vieira
*Se você não leu a primeira parte do relato da Aliny no Brasil Open, veja o post abaixo.
Por Aliny Calejon
Quarta-feira: Ah, as quadras secundárias. Fui direto nelas para acompanhar Kavcic x Chardy. Desértico. Cheguei e sentei justamente do lado do técnico do francês e passamos a partida inteira batendo palminha e gritando “ALLEZ JIM”. Minha empolgação era tanta que os poucos presentes acharam que eu fazia parte do staff do Chardy. (o que não seria nada mal. Fica a dica.)
O próximo jogo foi de Gil/Junqueira x Mertinak/Sá. E contou com o público mais bacana, com presenças de Carlos Bernardes, a dupla-brasileiro-americana-que-segui-a-semana-inteira e Rogerinho. Na saída, Butorac me deu um oi. ÓBVIO que fiquei feliz pra caramba, do tipo “NOOOOSSA, SOU MÓ BROTHER DO CARA”. Acompanhei Simon e Chardy nas duplas e depois fui para a central ver Nalbandian x Paire.
Benoit é um daqueles tenistas que peguei pra gostar desde que jogava challengers, então torci por ele, porque não nego minhas crias. Gritei por várias vezes ALLEZ BENOIT e pronto, virei a francesa retardada e suicida da quadra. Pena que resolvi ser francesa bem atrás de uma família argentina. Fui julgada por crianças argentinas de 4 anos, que me mandavam calar a boca e olhavam feio, enquanto gritavam VAMOS DAVID. Benoit perdeu e fui correndo para a porta dos jogadores, onde pedi sua munhequeira. Ele estava sem, então desejei boa sorte nas duplas e voltei para o ginásio para a partida de Bellucci contra Mello. A torcida claramente estava do lado do Ricardo. Não perdoei e BERREI pelo Bellucci. Aí virei a idiota nascida em Tietê. Uma Robin Hood das quadras.
Benoit Paire tem uma grande fã no Brasil.
Quinta-feira: Vários jogos interessantes estavam rolando na central, mas fui atraída mais uma vez pelas secundárias. O primeiro jogo da quadra 1 foi de Volandri x Hidalgo, também conhecido como ‘o pior jogo que já acompanhei na minha vida’. 3 sets de puro tédio, onde tinha mais seguranças do que público (contando como público uma pomba que pousou por lá e não ficou nem por 2 minutos, tamanha a agitação). Sentei atrás do ‘box’ do Volandri, que contava com seu treinador, mulher e o aparentemente preparador físico do italiano. No auge do tédio, comecei a prestar atenção na mulher do Volandri e percebi que ela estava claramente dando mole para o preparador físico. Mentalmente cantei “Ô Volandri, como é que é, teu preparador tá pegando sua mulher” #fofocas. Verdasco, a-dupla-brasileiro-americana-mais-legal e Feijão treinaram na outra quadra.
Algumas horas depois na quadra 2 rolou Bruno/Booty x Thomaz/Girafa. Sentei atrás do ‘box’ da dupla-mais-legal-da-tour, no qual Márcio Torres, treinador de Bruno Soares, me reconheceu e mandou um sorriso. Foi aí que percebi que estava seguindo demais os caras. No final desta partida, todos foram para a central, restando apenas público para as partidas de Mertinak/Sá e Mello/Feijão na quadra 1. Fiquei REALMENTE sozinha no Farah/Cabal x Giraldo/Paire, coisa de não ter nem os técnicos dos caras. Torci bastante pelo francês e no final, quando saía da quadra, pedi por sua munhequeira mais uma vez. Ele prontamente disse sim e arremessou em minhas mãos. (munhequeira que permaneceu molhada o dia inteiro na minha bolsa, molhando tudo. #facepalm) Saí feliz do local e, enquanto andava para a principal, Benoit apareceu mais uma vez, procurando por um carrinho de jogadores. Ele achou, tirou o motorista do carrinho e foi dirigindo o mais rápido que pode, quase me atropelando, enquanto buzinava e gritava “VAMOOOOS!”. Ele fechou meu dia de fanfarronices genialmente.
Na quarta-feira, o último capítulo do relato, com direito a piscadinha do campeão...
Aventuras de Aliny, parte 1
às
18h12
por
Sheila Vieira
*Como estamos no clima do Brasil Open, vou deixar o relato do Australian Open para depois. O texto deste post é de uma garota de 17 anos com quem eu converso no Twitter há algum tempo, conheci no torneio e testemunhei algumas das suas aventuras. Por isso, pedi que ela contasse com detalhes. O relato está dividido em algumas partes. Divirtam-se!
Por Aliny Calejon
Minha aventura no Brasil Open foi muito além dos jogos.
Segunda-feira - público fraco na central. Muitos ALLEZ depois e um jogo morníssimo de Chardy e Bagnis, fui dar uma volta pelo ginásio. Passei por muitos tenistas juvenis, mas foi no portão 6 que em alto e bom som ignorei um deles e gritei ‘AH, O MELLO!’. Decepcionei um juvenil logo de cara. (aí depois perguntam o porquê do tênis brasileiro não ir para frente, olha o que eu fiz com o coitado). Nessa brincadeira, também consegui autógrafos e fotos de Nalbandian, Bellucci, Melo e Sá em poucos minutos.
Em uma dessas voltas, descobri minha segunda casa da semana: as quadras 1 e 2. Chegando lá, vejo que Benoit Paire estava treinando. Esperei o treino terminar e, quando ele saia da quadra, gritei “HEY, BENOIT!”. Ele olhou estranho, provavelmente pensando porque diabos alguém sabia quem era ele logo no primeiro dia do rapaz na cidade. Joguei algumas bolas para ele assinar, já que as quadras ficavam isoladas e a arquibancada bem acima. Após umas cinco tentativas, Benoit conseguiu retornar as bolas para cima, rindo muito da situação. Já posso dizer que brinquei de bola com o francês.
Já tinha visto o Nalbandian, mas a queridíssima @marilia_nunes havia feito um pedido semanas antes do torneio: que alguém fizesse um cartaz pedindo para que o argentino casasse com ela. Pediu, atendi. No meio do alvoroço, Nalba leu e tirou uma foto com o cartaz.
Tudo estava muito bom e muito bem, mas como uma boa amante de duplas e especialmente fã dos dois, ainda estava me faltando o Bruno Soares e o Eric Butorac. Achei que nunca os encontraria, mas o resto da semana mostrou que eu me enganei FEIO. Os dois estavam indo para as secundárias de carrinho, quando sai correndo atrás gritando “BRUNO, BRUNO! SOARES, SOARES! BRUNO SOARES!”. Assustado e bem humorado, o mineiro respondeu: “Qual dos três você quer?”. Eu e minha incrível habilidade de assustar as pessoas na primeira frase. Consegui os tão sonhados autógrafos e fotos com Bruno e Booty, além de poder acompanhá-los jogando na central logo no primeiro dia. Achei que os outros dias não poderiam melhorar, mas mal sabia da minha terça-feira...
Terça-Feira: De longe o dia mais aleatório da semana.
Em uma das ações dos patrocinadores, a Gillette promoveu um concurso de frases pelo Twitter em que o ganhador teria uma clínica de tênis em uma das quadras. E não é que ganhei? Cheguei cedinho no ginásio pensando que seria apenas uma aula básica com pessoas aleatórias ensinando. NOVIDADE: me enganei mais uma vez. Lá estava eu sentada no banco dos jogadores, a vida não fazia sentido, o calor estava aumentando, quando a porta do local abriu. Uma luz surgiu. Sim, eram eles, BRUNO SOARES E ERIC BUTORAC. De cara comentei “O BRUNO, O BOOTY!” e pensei “Não, não pode ser. Eles estão aqui de passagem, certeza.” Nada, a clínica foi com eles. Realizei o sonho de bater uma bola com os caras, que é uma daquelas coisas que você não imagina que nunca irá acontecer. Dicas aqui e ali, sentei para uma pausa ao lado do Eric, que gentilmente ofereceu um copo de água e me contou sobre os torneios que eles jogariam (fica aqui meu apelo para o Eric fazer um twitter). Também conversei com o Bruno sobre Australian Open, duplas mistas e Jarmila Gajdosova.
Tive um dia de tenista por lá, com direito a carona no tal carrinho de transporte de jogadores e toalhas do torneio. Descendo do carrinho, Hanescu e Paire estavam esperando justamente por ele e pude, finalmente, encher o saco e tietar o romeno. Sim, os romenos são os melhores (VAMOS TECAU!). Após toda essa aventura, fui parar no Círculo Militar com a senhora Sheila Vieira e a informação de que Gilles Simon estaria treinando por lá. E realmente estava, além de Verdasco. Esperei e peguei tudo o que tive de direito dos dois. Enquanto isso, Cabal e Farah apareceram e ficaram esperando pelo fim do treino de Sá e Mello. Vi o Farah e pensei “que homem lindo”, enquanto encarava e secava o rapaz no maior estilo “pedreiro de cima da obra gritando “Ô DILIÇA” pra cada pessoa que passa”. Na mania de twittar tudo o que acontece, fui contar aos meus seguidores que O FARAH É UM LINDO (para caso alguém não percebeu ainda, O FARAH É LINDO). O problema foi que esqueci que, tanto ele quanto Cabal, estavam se alongando logo atrás de mim, no encosto de meu banco. Eles leram. Constrangi o rapaz. Climão maneiro.
Mas isso tudo não chegou aos pés do ponto alto do local: André Sá mostrou todo seu gingado para Ricardo Mello, roubando a atenção dos poucos presentes.
Na volta para o ginásio, vi Thierry Tulasne, o técnico de Gilles Simon. Sempre gostei do estilo de treino dele e fui seca pedir um autógrafo. Só que eu não contava que o francês ignoraria e passaria reto, me deixando no vácuo. Terminei o dia chateada com o careca.
Amanhã tem a segunda parte das aventuras da Aliny no Brasil Open.
Não tive o prazer de conhecer a Costa do Sauípe. Certamente, é um lugar muito bonito e deve receber torneios importantes de tênis no futuro. Mas o que essa semana provou é que o evento mais importante da modalidade no país precisa de um palco que tenha, além de uma bela vista, uma alma.
O público de São Paulo no Brasil Open refletiu muito do que vemos na cidade todos os dias: muita gente aglomerada, entusiasmada, disposta a consumir, às vezes mal educada, mas sempre com muita vida. A capital paulista é imperfeita, conflituosa, com muitos caminhos e confusão. E para mim, isso combina perfeitamente com qualquer esporte.
Os paulistanos querem um lazer num feriado que não seja encarar 200 km de congestionamento na Imigrantes, ver os filmes que se repetem no cinema ou gastar 1/3 do salário num bar ou restaurante. Um esporte como o tênis, que tem um ambiente seguro e é disputado em alto nível, é perfeito para esse público.
Sem falar nos que viajaram de várias cidades só para o torneio. Encontrei com muitos deles. Gente que ficou até as 0h30 no Ibirapuera porque sabia o valor de ver um David Nalbandian jogar, as meninas que deram voltas e voltas no ginásio querendo um autógrafo de Fernando Verdasco, o rapaz que falava euforicamente ao celular "o González está do meu lado! O Fernando González!!!", o pai que me dizia como o filho de 12 anos sabe tudo sobre tênis e quer fazer um blog...
Poderia gastar 50 parágrafos só contando as demonstrações de devoção dos espectadores que testemunhei nos últimos sete dias. Por isso, acredito que a aposta da organização de investir em vários ex-top 10 carismáticos ao invés de trazer apenas um David Ferrer, por exemplo, foi certa.
Não fiz parte do grupo dos tietes, afinal, estava trabalhando a maior parte do tempo. Os jornalistas só começam a ver jogos para valer a partir das quartas de final. Nos primeiros dias, ficamos mais buscando informações, monitorando notícias, esperando respostas dos nossos pedidos de entrevistas, aguardando as coletivas e comendo lanchinhos para esquecer que não almoçamos há dias.
Meu momento preferido da semana foi a conversa com Gilles Simon, publicada no site na quarta-feira. Sempre tive curiosidade de saber a posição dos tenistas franceses na polêmica com o doping e pude ouvir coisas interessantes de Simon. Vi também que muitos fãs estrangeiros do Rafael Nadal descobriram a notícia e repercutiram.
Há coisas negativas? Sim. A segurança foi extremamente mal-educada com o público e com os jornalistas diversas vezes; as opções de alimentação e transporte em volta são precárias; e ainda é necessário que as pessoas aprendam a não atrapalhar os tenistas com flash nas câmeras e movimentação durante os games. Porém, mesmo não sendo perfeito, o Brasil Open 2012 teve alma. Como todo grande evento esportivo deve ter.
Continuando no embalo "torcida", nesta semana vou postar o relato da Luciana Silveira, que acompanhou os últimos dias do Australian Open na Rod Laver Arena.
Tênis, TV, fãs e leigos
às
12h03
por
Sheila Vieira
A grande final do Australian Open e o começo do Brasil Open causaram um aumento significativo no número de matérias sobre tênis na TV aberta. Claro que tudo isso será "eclipsado" quando começar o Carnaval, a fase de grupos da Libertadores, os últimos paredões do BBB, etc.
Nós, os fanáticos, ficamos cheios de expectativas quando sabemos que a Globo, por exemplo, vai falar sobre tênis. Então vem a decepção com aquelas matérias altamente didáticas (algumas com informações erradas e analogias sem cabimento) e superficiais. Mas vamos parar para pensar: como explicar a profundidade do circuito em três minutos para um público totalmente leigo?
Tentativa: o tênis tem um circuito que dura cerca de 11 meses, dividido em várias categorias: os quatro Grand Slam, os Masters 1000 (masculino) ou Premier (feminino, que também tem suas subdivisões), ATP 500 (mas o que é ATP?), ATP 250 e WTA International. Cada um deles distribui um número diferente de pontos e assim é formado o ranking. E esse é o circuito de elite, pois os homens ainda têm os challengers (com suas subdivisões por premiação) e futures, enquanto as mulheres possuem os ITFs (os prêmios também definem a importância).
Agora sabemos isso de cor. Mas quanto tempo demoramos para aprender?
O tênis, hoje em dia, é um esporte relativamente popular, mas continuará sendo um "clube" de certa forma porque exige demais de quem o acompanha. Se você vê um Slam, curte o Djokovic e se dispõe a ver todos os seus jogos, você terá que se ajustar cada semana a um fuso horário diferente, procurar transmissões precárias na internet quando a TV não mostrar, vê-lo contra adversários fracos. Quantas pessoas estão dispostas a fazer isso?
Os que estão dispostos acabam conhecendo e gostando de outros tenistas e começam a ver torneios menores, a Copa Davis, acordam para acompanhar torneios asiáticos. Toda semana, todo dia, toda hora. Sempre há um jogo de tênis acontecendo. E na era das redes sociais, quem não acompanha esse fluxo acaba ficando muito para trás. Não é à toa que conseguimos perceber qual comentarista não acompanha o circuito. Nós sabemos até o nome de mãe de cada tenista!
Voltando à TV, imagine a pessoa que não faz ideia de nada disso e pensa que o Federer, o Nadal, o Djokovic e mais cinco caras jogam só quatro torneios por ano. O que ele quer ver? Sim, o VT com as "musas" da WTA, que "batem um bolão" (risos?). No Esporte Espetacular deste domingo, confundiram a Kvitova com a Azarenka, veja aqui. As duas primeiras colocadas no ranking! Quem notou o erro? Apenas nós, claro. Pelo menos, não citaram a palavra "gritos".
Mas há esperança. No mesmo programa, a Mariana Becker fez uma boa entrevista com o Djokovic, apesar de ele ter mentido descaradamente que Roland Garros é seu torneio favorito (ele sempre disse que é Wimbledon, mas precisa agora fazer campanha para conseguir torcida na França). Tanto a Mariana Becker quanto a Joanna de Assis (quando cobriu o US Open) fizeram boas entrevistas com os principais tenistas do mundo, interessantes tanto para nós quanto para os leigos. Por outro lado, já vi uma repórter do Sportv (não lembro o nome) amarrando fitinhas do Bonfim no punho deles uma vez.
Ontem, Thomaz Bellucci foi ao "Altas Horas" e teve que testemunhar adolescentes fazendo perguntas nada discretas sobre sexo e uma atriz super orgulhosa por ter ficado em primeiro lugar no vestibular de uma faculdade pública do Rio (mas decidiu fazer particular mesmo). Mesmo assim, o canhoto conseguiu brilhar quando foi perguntado o que o irrita mais num jogo: disse que é um tenista que tem a quadra aberta e joga a bola no peito do adversário.
Os leigos não entenderam de quem ele estava falando. Mas nós sabemos...
Ah, para não dizer que deixei de postar fotos, aqui vai uma bem curiosa com Andy e Judy Murray (dica da Lays Guerrero):
David Nalbandian, Rafael Nadal, Andy Roddick, Lleyton Hewitt e Mikhail Youzhny são cinco jogadores muito talentosos e com uma grande história no circuito da ATP. Porém, é impossível esquecer de suas glórias na Copa Davis. Nos momentos mais difíceis, eles estavam lá para salvar o time ou para ganhar um jogo decisivo.
A Fed Cup também tem jogadoras com esse papel decisivo. Durante a primeira rodada deste final de semana, pudemos ver cinco delas em ação:
Petra Kvitova
Mesmo sendo número 2 do mundo, com inúmeros compromissos e pontos para defender, a canhota tcheca não falta em nenhum confronto de Fed Cup. Desde 2007, Kvitova jogou 16 partidas pelo torneio, com 11 vitórias e cinco derrotas, três delas em quadra descoberta, o ponto fraco da campeã de Wimbledon. Quando Kvitova entrou no time, a República Tcheca ficava sempre nos playoffs. Depois, começou a avançar para a semifinal, até conquistar o título no ano passado. Apesar de tímida, a número 2 mostra muita garra em quadra, até assustando com seus gritos após pontos importantes.
Francesca Schiavone
Basta assistir a alguns pontos de qualquer jogo da italiana para perceber o quanto ela é perfeita para a Fed Cup. Vibrante, incansável, movida pela torcida e dramática, Schiavone foi a protagonista do confronto com a Ucrânia. Primeiro, sofreu uma dura derrota para Lesia Tsurenko, e depois saiu de um 7/6 e 5/1 para ganhar o jogo contra Kateryna Bondarenko e deixar a equipe viva no duelo. Schiavone fez 41 partidas na Fed e perdeu 15, sendo 11 delas na quadra rápida.
Jelena Jankovic
Podemos falar do comportamento temperamental da sérvia e de seus uniformes alternativos, mas é inegável que JJ tem sido a tenista mais confiável do seu país na Fed. Enquanto Ana Ivanovic não reencontra seu tênis e Bojana Jovanovski ainda ganha experiência, Jankovic comparece e traz toda a sua personalidade dramática para a quadra. A ex-número 1 fez 43 partidas no torneio e venceu 31.
Svetlana Kuznetsova
O tênis feminino russo tem diversas opções e aparece com uma escalação diferente a cada confronto. No entanto, "Sveta" nunca deixa o barco e geralmente é responsável pelos jogos mais emocionantes da Rússia na Fed. Se precisar, a campeã de dois Grand Slams também joga duplas para levar o último ponto. Em 30 jogos pelo torneio, Kuznetsova saiu derrotada apenas em oito, um deles na final de 2011 contra Kvitova.
Yanina Wickmayer
Nome menos famoso dessa lista, a belga sempre tem que carregar seu país nas costas quando Kim Clijsters não joga, algo que acontece com bastante frequência. Wickmayer que impediu a queda da Bélgica para o Zonal Europeu em 2009, colocou a nação nos playoffs e no Grupo Mundial 1 e lutou contra a República Tcheca na semifinal do ano passado. Ela e Kvitova fizeram uma partida decisiva e muito disputada, que de certa forma definiu o futuro das jogadoras. Enquanto Kvitova só cresceu depois desse duelo, Wickmayer ficou estagnada no circuito da WTA. A belga tem 15 vitórias em 23 jogos na Fed Cup.
Top 10 Vergonha Alheia - Australian Open
às
17h14
por
Sheila Vieira
Agora que já estamos recuperados da ressaca pós-duas-semifinais-de-tirar-o-fôlego-e-uma-final-que-causou-enxaqueca, está na hora de relembrar os momentos cômicos do Australian Open. Roupas ridículas, brigas, atos falhos, duplas aleatórias e boladas no s*co! O que mais nos deixou acordados de madrugada, não é mesmo? Vamos então ao Top 10 Vergonha Alheia de Melbourne:
Wawrinka fazendo exame de toque na juíza de linha
O pior é que ela parece ter gostado.
Marcos Baghdatis quebrando raquetes ainda no plástico
Em algum lugar da Rússia, Marat Safin se emociona.
Kader Nouni roubando o Nalbandian
Não bastasse ter que ver a Argentina ser vice outra vez da Copa Davis, o Gordito ainda teve um break-point negado pelo árbitro de cadeira. Que fase.
Sharapova “ownando” a Radwanska
Perguntaram para a Maria o que ela achava das últimas reclamações sobre seus gritos em quadra, inclusive de Agnieszka Radwanska.
Resposta: “Ela não voltou para a Polônia ainda?”
Eu ri.
Federer lobando o Karlovic
Nunca nos deixe, Rogério.
Fernando McDonald
Primeiro dia de torneio, todos morrendo de sono. Até que...
Big Mac ou Quarteirão?
Tomic e Jankovic jogam duplas mistas
Não sei o que é mais notável, ele ter chegado às oitavas ou aguentar a Jota-Jota a poucos metros de distância.
Berdych fazendo mimimi contra o Almagro
Okay, sabemos que Nico é uma pessoa controversa, mas não cumprimentá-lo por causa de uma bolada é muito sexta série. Só faltou ameaçar chamar a inspetora.
Nadal x Bernardes: Barbaridad Reloaded
CARLOS! CARLOS!
Feijão dá uma bolada no feijãozinho do Lindstedt
Viu, Berdych? Podia ser bem pior...
*sei que a expressão “vergonha alheia” não faz muito sentido, mas não há maneira melhor de explicar.
Diário do Australian Open, dia 14
às
14h02
por
Sheila Vieira
Uma das coisas mais únicas do tênis é que o vencedor não é determinado por um número absoluto de pontos. O jogo é dividido em sets e games e cada um deles com a progressão estreitíssima do 15-30-40-vantagem. Isso faz do tênis um esporte no qual você nunca está totalmente seguro.
Um 40-0 pode se tornar vantagem para o adversário em 2 minutos, duas quebras vão para o lixo em menos de 10 minutos. Sem esse elemento, a final do Australian Open de 2012 não seria a mesma. Na verdade, não seria o tênis que nos fez acordar às 6h30, passar sete horas em frente à TV e lidar com uma baita dor de cabeça agora.
A partida tinha tudo para ser incrível ou monótona. Terceira vez seguida que Rafael Nadal e Novak Djokovic se encontraram em finais de Slam e ambos vieram de jogos excelentes e muito desgastantes contra Roger Federer e Andy Murray. O sérvio teve um dia a menos de descanso, portanto, a lógica seria que um jogo longo favoreceria Nadal. Porque insistimos em acreditar que há alguma lógica nesse esporte.
Nadal começou melhor. Com uma postura bem agressiva e soltando seu forehand com spin, o espanhol estava vencendo o duelo contra o backhand do sérvio. Em termos de tensão, o jogo estava bem morno. Djokovic aproveitou um segundo set bem fraco de Nadal e empatou a partida, ainda meio chata, e também levou a terceiro após mostrar alguma vulnerabilidade no saque.
Perto do final do quarto set, Djokovic teve três chances para quebrar o saque de Nadal e sacar para o jogo. Mas o espanhol mostrou, como de costume, por que é o maior competidor da história desse esporte e levou ao quinto set, virando também no tiebreak. Como Djokovic reagiria?
O número 1 teve games de serviço bem mais nervosos no começo do quinto set, mas quando os momentos decisivos chegaram, por mais acirrada que estivesse a batalha, Djokovic nunca deixou de buscar as linhas. Se ele perdesse, seria arriscando. Na semifinal do US Open, no jogo de quase 5h contra Murray e hoje, Djokovic jogou com a sua identidade: seu jeito dramático, atlético e corajoso.
2.000 pontos defendidos.
- Muito feliz com o fato de o mundo todo poder ter acompanhado e admirado o tênis em seu melhor nível junto a nós, fanáticos.
- Preciso postar uma foto da Victoria Azarenka exibindo seu troféu. Bem-vinda ao trono!
- Não vou mais postar todos os dias... mas espero que vocês continuem por aqui.
Diário do Australian Open, dia 13
às
15h31
por
Sheila Vieira
Quem diria? A moça que desmaiou em pleno US Open em 2010 agora é a mais nova campeã de Slam e número 1 do mundo. Na verdade, nem precisamos voltar tanto no tempo. Em outubro de 2011, essa já seria uma previsão estranha. Victoria Azarenka havia acabado de perder a final de Istambul para Petra Kvitova, a aposta segura.
Tudo indicava que a grande rivalidade do ano seria entre Caroline Wozniacki e a tcheca, especialmente após um jogo disputado que fizeram na Copa Hopman. Em seguida, bastava Kvitova ser campeã de Sydney, numa possível final contra a dinamarquesa, para chegar a Melbourne como número 1.
Mas a lição que aprendemos (ou não, sempre quebramos a cara) é que não há certezas na WTA. Se há algum padrão recente, é o de que a menos experiente tem mais chances de título numa final de Slam. Na Li derrotou em Roland Garros a Francesca Schiavone, que tentava defender o troféu. Kvitova ignorou o favoritismo de Maria Sharapova em Wimbledon, como Samantha Stosur fez em Nova York diante de Serena Williams.
Agora foi a vez de Azarenka. A loira um tanto alternativa, meio polêmica, que não faz questão de ser simpática com árbitros de cadeira e juízes de linha, que usa shorts num Grand Slam, entra em quadra com blusa de touca e cantando músicas do iPod. Uma personalidade que pode assustar à primeira vista, mas que conquista fãs a cada vibração e expressão de alegria ou raiva em quadra.
Azarenka aprendeu a construir pontos e a usar suas emoções explosivas a seu favor. Esse foi o caminho a levou ao topo do ranking e ao título do Australian Open. Porém, isso significa que ela ocupará esse posto por muito tempo? É complicado. Sharapova mostrou em Melbourne sua força, Kvitova ainda é a mais talentosa, na minha opinião, e Wozniacki continuará vencendo um bom número de partidas.
Todas elas têm muitos pontos para defender em 2012. Azarenka tem a chance de abrir boa vantagem em Dubai e Doha, onde praticamente não ganhou jogos no ano passado. A fase Indian Wells/Miami tem quartas e título, o torneio de Marbella, que ela venceu, foi cancelado, mas Azarenka pode recuperar os pontos em Stuttgart.
A bielorrussa foi finalista em Madri, chegou às quartas em Roma, Roland Garros e Eastbourne, depois fez semifinal em Wimbledon. Caiu na estreia em Stanford, foi à semi em Toronto e tem boas chances no US Open: em 2011, encontrou Serena na terceira rodada. Semifinal em Tóquio, oitavas em Pequim, título em Luxemburgo e decisão do Masters de Istambul.
É uma missão complicada e suas adversárias estão bem perto. Mas não deixa de ser irônico o que o Mário Sérgio, dono do blog Azarenkices, afirmou hoje em seu Twitter: enquanto Wozniacki tinha o número 1 e buscava o Slam e Kvitova tinha o Slam e não alcançava a liderança, Azarenka levou os dois no mesmo dia. Coisas da WTA.
Diário do Australian Open, dia 12
às
15h43
por
Sheila Vieira
Peço desculpas a quem está em busca de uma análise da partida. Há muitos blogs excelentes que atenderam a essa necessidade. Esse post é só o que eu consigo fazer hoje.
Era muita ingenuidade minha achar que precisaria de despertador para acordar às 6h30. Passei os últimos 11 dias virando até no mínimo 6h da manhã. Portanto, quando olhei no relógio e vi 3h, resolvi ligar o computador. Falei com a Luciana Silveira, uma amiga minha que está acompanhando os quatro últimos dias de jogos do Australian Open lá em Melbourne. Ela ainda não sabia para quem torcer - quando uma família escocesa ficou do seu lado, ela se decidiu - e estava acompanhando a final feminina de duplas.
Vi um set de Svetlana Kuznetsova/Vera Zvonareva contra Sara Errani/Roberta Vinci e senti que estava com um pouco de sono. Deitei novamente e comecei a pensar do que poderia acontecer entre Novak Djokovic e Andy Murray mais tarde. Criei uma partida quase inteira na minha cabeça, misturando lances que vi dos dois no torneio, inventando alguns golpes (um winner de forehand do Murray na paralela). Na hora de imaginar o final, vi duas opções: mais um 3x0 fácil para o sérvio e um 3x2 muito sofrido para o britânico.
Nem dormi. 6h10. Liguei a TV e o computador e comecei a ver algo parecido com a minha primeira versão. Murray muito nervoso, passivo, sem confiança. A diferença era Djokovic, mais frágil do que eu imaginava, errando bastante, mas firme o suficiente para abrir 6/3 e 2/0. Fechei o computador, deitei e fiquei só ouvindo a partida e desejando um sono profundo. Até que Murray quebrou de volta, sacou para o set e... empatou o jogo. "Okay, vou sentar pelo menos", "vou ver o Twitter pelo celular".
Quando Murray sacou para o terceiro set e falhou, tinha certeza de que o jogo "havia acabado". Ele nunca se recupera de situações assim. Quem consegue reverter essas coisas é justamente o adversário dele. Mas o Djokovic de hoje não era (ainda) aquele de Madri contra Bellucci, de Roma contra o próprio Murray ou de Nova York diante de Federer. Parecia mais o Djokovic de 2009 para trás.
Mas o Nole 2011 apareceu no quarto set e deixou claro rapidamente que, se ele perdesse, seria no quinto set. Nessa parcial, Murray cometeu o seu maior erro: abrir mão de seu último game de serviço, dando ao sérvio a chance de começar sacando depois. Para alguém que sente pressão em games decisivos, como o britânico, isso define a partida.
Assisti ao quinto set de pé, pulei quando Murray reverteu um 2/5 para 5/5, ajoelhei quando ele teve break-points no 11º game... não deu certo. Quando acabou, parecia que eu tinha ficado em quadra por cinco horas. Emocionalmente esgotada e triste. Queria um vestiário para jogar uma raquete no banco e despejar as minhas frustrações.
Murray é essa pessoa dramática, que desperta uma certa pena, por sua insegurança. Ele não se acha melhor dos outros, não acredita que possa ser. Murray aceita que, se o seu dia chegar, será porque o outro viveu um dia ruim. Ele não solta o forehand porque o dele é pior, não gosta de comandar pontos porque toma decisões erradas. É muito esforçado, mas não é genial. E a minha torcida por ele faz mais sentido quando eu lembro que, por boa parte da minha curta vida, eu tive a mesma postura.
Dormi, acordei de novo e pensei no que escreveria aqui. Hoje o meu blog foi o meu vestiário após a derrota.
Será que os campeões em Melbourne serão Djokovic e Sharapova? Estamos em 2008?
Diário do Australian Open, dia 11
às
11h35
por
Sheila Vieira
Eu não dormi hoje. Não faço ideia de quando vou conseguir deitar e relaxar. As três partidas foram sensacionais, de maneiras diferentes. Posso estar exagerando e dando toda essa importância pelo simples fato do esforço de ficar acordada. Mas esse dia 11 do Australian Open tirou totalmente o meu fôlego (sei que é um mega clichê, mas é o mais honesto).
Victoria Azarenka e Kim Clijsters abriram a rodada. Eu esperava longas trocas de bola no fundo da quadra e vi exatamente isso, mas a diferença é que a bielorrussa saiu vencedora da maioria delas. Mais do que isso, Azarenka trouxe uma estratégia para a quadra e executou com perfeição, quando pressionava o segundo serviço e angulava bastante no backhand da belga.
Enquanto isso, Clijsters tentava algo diferente a cada game e falhava. O segundo set foi definido pelo nervosismo de Azarenka, que distribuiu um erro não-forçado atrás do outro e mostrou o sintoma principal do desespero: subidas à rede totalmente sem propósito. Começou então a batalha mental, onde aconteceu a surpresa.
Clijsters jogou os *pontos importantes* de forma muito mais displicente, enquanto Azarenka lutou por cada um deles como se sua vida estivesse em jogo. A mudança mental da bielorrussa é espetacular. Há pouquíssimo tempo, Azarenka raramente saía de um jogo importante sem brigar com o árbitro ou chorando. Ela ainda tem seus lapsos, mas consegue superá-los na maioria das vezes. Vika 2.0, de fato.
Maria Sharapova e Petra Kvitova fizeram o esperado jogo do quem erra menos (ou mais). A tcheca demorou muito para soltar seu forehand canhoto e pressionar a russa, que enquanto isso fazia a festa com o backhand da número 2. Extremamente irritada e sem espírito de luta desde o começo, Kvitova tentava se motivar, mas seus gritos eram claramente forçados e escondiam sua frustração com a própria performance.
O terceiro set deu inúmeras chances às duas jogadoras, mas Sharapova foi infinitamente mais segura e vibrante. A postura da russa intimida (num bom sentido) demais. A tal diferença de Wimbledon para agora realmente fez diferença: Kvitova não respondeu bem à condição de "favorita" nesta semifinal.
O Felipe Priante, que também trabalha no Tenisbrasil, fez uma pergunta interessante no Twitter: será que o número 1 da Kvitova será o Grand Slam da Wozniacki? Ou seja, o objetivo que parece perto, mas não é alcançado? Não discuto aqui qual é mais importante, mas certamente essa questão está afetando o jogo da tcheca.
Chegamos ao Fedal. Afirmei no post de ontem que Federer teria mais dificuldades se a partida fosse longa e que os dois estavam num momento parecido com o de Roland Garros no ano passado. Na hora em que o suíço desperdiçou aquela vantagem no primeiro set e ganhou apenas no tiebreak, era perceptível que o jogo estava mais próximo dos duelos intermináveis entre os dois em Slams do que do passeio do ATP Finals.
Nadal foi sim mais agressivo, usou muito bem o forehand em direção não só no backhand de Federer, mas nos dois lados da quadra, sacou bem quando precisou, contra-atacou com excelência. Mas é impossível negar que o suíço caiu drasticamente de nível no meio do segundo set para frente.
Era impressionante como Federer tentava subir à rede com um golpe fraco no forehand de Nadal e levava a passada. As duplas-faltas em games próximos da definição do set, a lentidão nos últimos momentos do jogo. Eu me pergunto se as costas podem ter a ver com isso, se é apenas uma questão psicológica ou puro mérito do espanhol. Não tenho respostas. A única coisa que me resta agora é ser grata por acompanhar uma das maiores rivalidades do esporte.
Parabéns ao Bruno Soares e a Jarka Gajdosova pela boa campanha nas duplas mistas. Foi divertido assistir aos jogos deles.
Para quem não sabe, Novak Djokovic e Andy Murray são meus tenistas favoritos. Portanto, não se surpreendam se o texto de amanhã for bastante subjetivo.
Diário do Australian Open, dia 10
às
15h36
por
Sheila Vieira
No final das contas, o Australian Open nem foi tão surpreendente assim. Temos a dinastia Big Four novamente nas semifinais, mas numa configuração diferente e muito mais interessante, no masculino. Entre as mulheres, uma representante da velha guarda, uma tenista precoce que enfrentou lesões e parece agora estar recuperando o tempo perdido, a grande esperança da nova geração e alguém em busca do primeiro Slam.
Petra Kvitova fez mais uma partida daquelas que deixam o público apreensivo. Qualquer jogo da tcheca esteja está em suas mãos e depende se no momento ela está acertando ou errando mais. A número 2 do mundo dificilmente passa por um torneio atropelando todas, até porque devemos lembrar que faz pouquíssimo tempo que ela tem esse status e esse respeito.
Por isso mesmo, é muito irônico que ela enfrente na semifinal Maria Sharapova. Elas têm algumas coisas em comum: uma força absurda para bater na bola, venceram seus primeiros Slam muito jovens (quase criança, no caso da russa), em Wimbledon e surpreendendo uma favorita.
A aposta na experiência de Sharapova é a mesma que fizemos em Londres no ano passado e quebramos a cara. Porém, enquanto a situação da russa continua a mesma (uma tenista veterana de circuito e jovem de idade), a de Kvitova mudou drasticamente, com todos apontando para ela na hora de indicar quem será a nova estrela do tênis feminino. Ela conseguiu lidar bem com isso em Istambul, mas um Grand Slam é diferente.
Kim Clijsters e Victoria Azarenka devem fazer um jogo interessante em termos táticos, já que as duas têm um estilo parecido, agressivo, mas sem winners com velocidade de aces, usam bem tanto o forehand quanto o backhand, podem ir bem ou muito mal na rede. A belga se movimenta melhor, mas permanece a dúvida sobre aquele tornozelo.
Já na batalha psicológica, Clijsters sai muito na frente. Ela diz que está jogando seu último Australian Open, já passou por duas adversárias com ranking acima do seu, ou seja, não tem nada a perder. Azarenka, por sua vez, tem a terceira oportunidade de deixar de ser coadjuvante. Em Wimbledon e Istambul, ela falhou. Teremos uma Andy Murray da WTA?
Fedal: o jogo que eu ficava enjoada por acontecer toda hora e agora sinto falta porque é cada vez mais raro. Quando estamos no saibro ou numa quadra coberta, é bem mais fácil prever o vencedor. Nas condições da Austrália, de Wimbledon e de Nova York, é bem mais difícil imaginar o que acontecerá, porque o espanhol consegue equilibrar sim nesses lugares.
Roger terá que definir esse jogo em três sets, no máximo quatro. O suíço está com uma certa dificuldade em partidas que se alongam demais, como as finais do Australian Open e do US Open de 2009, as quartas de Wimbledon do ano passado e a semifinal em Nova York de 2011, sua última derrota no circuito.
O momento que os dois atravessam é de certa forma parecido com o de Roland Garros do ano passado. Federer fez uma campanha bem mais notável e chegou à final com certo favoritismo. Começou o jogo abrindo 5/2 e piscou. Nesse momento, Nadal trouxe o jogo de volta para suas mãos e não largou mais. Sabemos que Federer tem suas oscilações em todas as partidas, a dúvida é saber se o espanhol saberá aproveitar.
Novak Djokovic e Andy Murray devem fazer um duelo ataque contra defesa. O britânico, quando está sob pressão, volta sempre ao seu estilo seguro, e Djokovic sabe que seu forehand é muito melhor e os backhands se equivalem. A chave dessa partida, na minha opinião, é o saque. Os dois vivem um caso de amor e ódio com o serviço desde o ano passado. Dessa forma, deve haver muitas chances de quebra. O sérvio é mais confiável jogando break-points.
O componente emocional também será protagonista desse jogo. Djokovic costuma reagir muito mal quando começa a errar, dando risadas sem graça para o público até demorar para se reencontrar. Já o britânico não tem vergonha de se castigar pelos próprios erros e nessa hora veremos se o efeito Ivan Lendl mudou de fato alguma coisa no comportamento de Murray.
Em quem você aposta? Na experiência de Federer e Clijsters? Na força mental de Nadal e Sharapova? No embalo de Kvitova e Djokovic? Ou na primeira vez de Azarenka e Murray?
Diário do Australian Open, dia 9
às
14h14
por
Sheila Vieira
Dormi demais hoje. Inclusive durante a parte mais legal de Rafael Nadal contra Tomas Berdych. Li os relatos do Tenisbrasil e do GE.com e soube que a estrela acabou sendo Carlos Bernardes, ecoando o mítico "es una barbaridad" do Finals de 2010. Polêmicas à parte, o tcheco realmente foi mais perigoso para Nadal do que Juan Martin Del Potro para Federer.
O fato de Del Potro ser um vencedor de Grand Slam sempre vai afetar o nosso julgamento (não estou dizendo que não deveria). O problema é ficarmos convencidos de que o argentino sempre poderá repetir aquela performance de 2009 em Nova York. Federer e Del Potro se enfrentaram pela décima vez agora, só falamos da final do US Open, mas esquecemos todas as outras.
Claro que Del Potro fez mais do que ganhar o US Open, ele estava numa grande ascensão que foi interrompida por uma grave lesão. É fácil pensar se ele teria se colocado entre os quatro melhores do mundo e ficado lá permanentemente. Porém, sinceramente, você vê o argentino vencendo mais torneios por ano do que Andy Murray, Roger Federer, Rafael Nadal ou Novak Djokovic?
O forehand de Del Potro é um golpe de cair o queixo, o saque é ótimo e o backhand é confiável. Mas qual é o plano B do argentino diante de um jogador que se defende muito bem (coloco Federer nesse time) e tem variedade para deslocá-lo? Se, mesmo assim, ele fizer um jogo disputado, o seu físico ajuda ou atrapalha?
Minha resposta para essas perguntas é "não sei", ao invés de "não". Meu ponto é que Del Potro ainda precisa evoluir e ele ter vencido um Grand Slam impõe um respeito que pode nos cegar para algumas lacunas. De qualquer forma, alguém que vai do top 500 para o top 10 em um ano é muito especial e certamente um grande nome para o futuro do tênis. Ele só precisa de tempo.
A rodada feminina acabou sendo marcada pelo fim do reinado de Caroline Wozniacki. O tornozelo de Kim Clijsters não parecia ruim, mas forçou a belga ser mais agressiva do que o normal e deixar claro o quanto ela é infinitamente mais tenista do que a dinamarquesa. Chega a ser assustador às vezes. Wozniacki contou ontem so com o saque e com o backhand (seu melhor golpe). Nem a defesa da dinamarquesa estava muito bem ontem.
Não se sabe ainda quem será a número 1 segunda-feira. São muitas as possibilidades, mas gostaria que fosse a campeã do torneio (só não será se a Clijsters vencer). Victoria Azarenka, Petra Kvitova e Maria Sharapova têm uma oportunidade única para iniciar uma nova era no tênis feminino. De Wozniacki, espero um recomeço, sem mais tanta pressão.
Victoria Azarenka x Agnieszka Radwanska? Resumo: foi horrível. É sério.
Diário do Australian Open, dia 8
às
13h01
por
Sheila Vieira
Mais uma madrugada maluca, outro jogo emocionante na sessão noturna. As oitavas de final acabaram e agora restam apenas reais candidatos ao título (alguns correndo por fora no masculino) e zebras que ninguém previu (oi, Sara Errani). Vamos lembrar como foi ou contar para os que não puderam virar a noite.
Enquanto Petra Kvitova fazia uma boa apresentação contra Ana Ivanovic (apesar de um smash fail no segundo set), os brasileiros das duplas lutavam por vaga nas quartas. Ricardo Mello e Feijão foram eliminados por Robert Lindstedt e Horia Tecau, um resultado esperado. Mas o ponto alto foi um lance de Feijão contra o sueco... ou melhor, o "suequinho". Depois de muita dor e risada, o jogo continuou.
Print da @alcalejon
Bruno Soares e Eric Butorac fizeram uma ótima apresentação, desta vez sem torcida organizada, e pegam Leander Paes/Radek Stepanek (da série duplas que não fazem sentido nenhum). Acho que os dois têm chances de título sim, até porque os irmãos Bryan não estão muito bem o torneio até agora.
Andy Murray confessou ter ficado entediado no "jogo" contra Mikhail Kukushkin, totamente baleado após o jogo com Gael Monfils. O britânico até fez uma sessão de treinamento depois para não perder o dia. Na mesma hora, Sara Errani vencia Jie Zheng e se tornava a Angelique Kerber (semifinalista em Nova York) do Australian Open.
Então começou a madrugada maluca, com as quedas de Jo-Wilfried Tsonga e Serena Williams. O japonês e sua consistência no fundo da quadra seguraram as bombas do francês, que começou a perder a cabeça e desperdiçar break-points (olá, Monfils). Quando Tsonga começou a jogar na rede e levar passadas, ficou difícil imaginar um jeito do número 6 vencer que não fosse com uma pipocada de Nishikori. Não aconteceu.
Explicar a derrota de Serena é um pouco mais simples. Ekaterina Makarova vinha jogando bem o torneio, tanto que venceu Kaia Kanepi e Vera Zvonareva, mas estava longe do radar por ter jogado em quadras secundárias. O grande mérito da russa foi ter segurado Serena naqueles momentos em que a norte-americana parecia reagir.
Serena sacou mal, errou demais e parecia carregar 20kg em cada pé, de tão lenta. Mesmo assim, ela abriu 2/0 no segundo set. "Ela acordou", disseram todos. Makarova devolveu a quebra logo em seguida. Cada break-point que a russa cedia era salvo com tranquilidade. Ela venceu a pentacampeã no jogo e no mental.
O jogo que prometia e foi bem chato aconteceu entre David Ferrer e Richard Gasquet. O espanhol começou até jogando bem e sendo agressivo, mas quando percebeu que o francês estava sem a menor vontade, se contentou em colocar bolas altas no backhand de Gasquet e dar passadas a cada péssima subida à rede do oponente. Um dia ainda entenderei os tenistas franceses.
"Sacrifiquei" o jogo entre Maria Sharapova e Sabine Lisicki por meu sono, porque esperava de forma errada uma vitória mais fácil da russa. Novak Djokovic e Lleyton Hewitt deram ainda mais emoção à noite australiana, com a inesgotável luta de "Rusty" e a apatia sem explicação do sérvio dos dois últimos sets. Um vacilo desses contra Ferrer acabaria em derrota.
Quartas de final definidas hoje:
Maria Sharapova x Ekaterina Makarova (será que o 'encanto' da 56ª do mundo continua?) Petra Kvitova x Sara Errani (vejamos se a tcheca se complica sozinha) Novak Djokovic x David Ferrer (o sérvio deve entrar mais concentrado) Andy Murray x Kei Nishikori (o japonês está bem cansado)
Diário do Australian Open, dia 7
às
13h07
por
Sheila Vieira
Mais uma vez, não consegui ver a sessão noturna inteira. Assisti ao suficiente de Roger Federer e Caroline Wozniacki para saber que eles tinham tudo sob controle. Porém, a sessão diurna foi, para mim, a melhor do torneio até agora, e teve um daqueles jogos que eu sei que jamais esquecerei.
A programação da Rod Laver começou com Victoria Azarenka ganhando fácil novamente. Mas o interessante desse jogo aconteceu no Twitter. Sim, no microblog. A adversária da bielorrussa foi Iveta Benesova, que atualmente namora Jurgen Melzer. Presente no estádio, o austríaco tuitou a seguinte frase durante o jogo:
Mau perdedor de jogos da namorada?
Rafael Nadal fez o jogo mais sonolento e sem graça do dia. Ele não esteve em perigo em nenhum momento, Feliciano López não estava jogando bem, e mesmo assim o jogo se arrastou bastante. Enquanto isso, eu me divertia vendo um jogo de duplas feminino com Svetlana Kuznetsova, Vera Zvonareva, Gisela Dulko e Flavia Pennetta.
As russas venceram depois de muitas trapalhadas durante a partida. Já a alemã Julia Goerges teve uma atuação pífia diante de Agnieszka Radwanska. Já no meio da madrugada, o jogo de Nadal terminou e começou o drama.
Kim Clijsters e Na Li faziam um jogo com alguns bons ralis e muitos erros, quando a belga simplesmente caiu após torcer o tornozelo e era possível ouvir o MUNDO dizer "NOOOOOOOOOOOOOO". A belga voltou com uma péssima expressão, praticamente não se movia na quadra e ia para os winners na segunda bola.
Parecia inevitável que Clijsters desistisse e Li administrava bem o jogo, mas não "matou" como deveria. A chinesa não fez drop-shots, não forçou a belga a se movimentar, pelo contrário, deu tempo para que a dor de Clijsters passasse. Mesmo assim, Li teve 6-2 no tiebreak do segundo set e os próximos minutos me fizeram gritar, ter ataques de riso, vontade de chorar e choque, tudo ao mesmo tempo.
Clijsters venceu seis pontos seguidos. O mais impressionante foi o do 6-5. A belga fez um drop-shot bem alcançável, mas Li surtou na hora de devolver e jogou na mão da oponente. Não deu outra: um lob que desmoralizou totalmente a número 5 do mundo. Naquele momento, Clijsters ganhou o jogo, sem precisar de esforçar muito no terceiro set. Muito abalada, Na Li teve que sair no meio de sua coletiva com a imprensa chinesa por não segurar as lágrimas. Um jogo que prometia pelo aspecto técnico acabou ficando marcando pela garra de uma e o fraco emocional da outra.
Tomas Berdych e Nicolas Almagro tinham minha "atenção secundária". O tcheco estava perdendo nas trocas de bola no fundo de quadra e tentou ir à rede de forma igualmente ineficiente. Mesmo assim, Berdych conseguiu se livrar nos tiebreaks. E nada disso importa diante do que aconteceu APÓS o jogo.
Berdych não cumprimentou Almagro e o público australiano entoou uma vaia homérica, que eu não via igual desde o comentário de Novak Djokovic sobre Andy Roddick no US Open de 2008. Na verdade, o de hoje foi bem mais constrangedor, porque os australianos sequer deixaram Berdych falar direito. O motivo: uma bola que o espanhol acertou no braço do tcheco, que parece não ter sido intencional. O dia foi tão maluco que até Almagro saiu como mocinho de uma história.
Ah, bem-vindo de volta ao top 10, Juan Martin.
Jogos definidos de quartas de final:
Roger Federer x Juan Martin Del Potro (não gostei dos jogos do argentino contra o top 10 desde a volta) Rafael Nadal x Tomas Berdych (antes do torneio, achava que o tcheco mais chance do que tem agora) Caroline Wozniacki x Kim Clijsters (se o tornozelo estiver bom, aposto tudo na belga) Victoria Azarenka x Agnieszka Radwanska (interessante, pois a polonesa pode se aproveitar de um 'apagão' da bielorrussa)