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Blog mudou de endereço!
às 11h54 por Sheila Vieira

Sim, isso mesmo. Fizemos algumas mudanças nos blogs do Tenisbrasil e ele tem um novo endereço: http://tenisbrasil.uol.com.br/blog/sheilafaladetenis/. Portanto, favorite, coloque no Google Reader e, claro, fique de olho na home do site para ver quando há um post novo.


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Sobre calendário e preparação
às 12h00 por Sheila Vieira

Enquanto você ainda está curando a ressaca, voltando da praia ou trabalhando com preguiça, os tenistas estão na quarta marcha, preparados para engatar a quinta em Melbourne. Novak Djokovic, Roger Federer e Andy Murray são os candidatos óbvios ao título do Australian Open, com David Ferrer, Tomas Berdych e Juan Martin del Potro correndo por fora.

Apesar de terem chances parecidas, os três primeiros do ranking tiveram agendas bem diferentes desde o ATP Finals até agora. Vamos relembrar:

FEDERER

Após o vice-campeonato em Londres, o suíço mais célebre do mundo tirou duas semanas de férias, que resultaram nesta foto:

Federer então viajou pela América do Sul por duas semanas, que foram tão desgastantes quanto um torneio normal. Não pelos quatro jogos em si, mas por causa dos inúmeros compromissos fora de quadra, como a suada visita ao Mercadão. Em seguida, passou rapidamente pela Suíça para receber o prêmio de atleta do país em 2012. Lá pela terceira semana de dezembro, Federer começou a pré-temporada em Dubai.

Por conta dessas atividades, Federer deu uma 'banana' aos sheiks em Abu Dhabi e Doha, começando o ano direto em Melbourne. Na verdade, o calendário que o suíço apresentou tem algumas 'bananas': para Copa Davis - apesar de que nada o impede de jogar a repescagem -, Basileia (que ele escolheu em 2012 ao invés de Paris e acabou perdendo o número 1) e Miami, onde ele defende poucos pontos e ainda foge das reuniões da ATP que acontecem lá. Não podemos também esquecer do já esperado não a Monte Carlo.

Com 31 anos de idade e nada a provar, Federer tem o direito de 'parar de agradar' algumas pessoas. A escolha é dele. Ao invés de ganhar um cheque generoso para jogar em frente a 30 pessoas no Oriente Médio, o suíço resolveu realizar o sonho dos fãs sul-americanos, faturando o mesmo. É bem justo. A Copa Davis é um torneio que ele sabe que não vencerá. Já a questão da Basileia (a mais delicada por ser sua cidade natal) me parece uma tentativa de pressionar a ATP para acabar com as três semanas seguidas no fim do ano.

Para ocupar a liderança por quatro meses em 2012, Federer precisou fazer adições ao seu calendário. Porém, a prioridade agora certamente não é essa. 2013 é um ano fundamental para o futuro do suíço. Se ele ganhar um ou mais Slam e pelo menos brigar pela ponta com Djokovic, é um sinal que ainda há muito combustível de reserva. Porém, se Federer passar em branco e cair no ranking, é provável que comece a projetar uma data para o fim, seja em 2014, 2015 ou 2020.

DJOKOVIC

Campeão do Finals, Djokovic resolveu continuar no embalo antes de descansar e fez algumas exibições, incluindo a contra Guga no Rio. Então tirou folga, participou de um evento em Londres e de uma exibição fechada nas Ilhas Virgens. Depois foi a Monte Carlo, onde mora, terminar a preparação.

Já que Federer e Nadal não estiveram por lá, Nole salvou (em parte) a vida dos sheiks de Abu Dhabi e ganhou o título. Nesta semana, está jogando a Copa Hopman com a amiga de infância Ana Ivanovic. É uma boa escolha. A derrota para Bernard Tomic em Perth não causou muito estardalhaço. Se perdesse em Brisbane, o sinal amarelo já estaria aceso.

Após Melbourne, a grande adição no calendário de Djokovic é a Copa Davis. Sua última partida no torneio foi o doloroso abandono na semifinal de 2011 contra Del Potro, poucos dias após a final do US Open. Com Viktor Troicki em fase deplorável, a Sérvia precisa de Djokovic para permanecer tranquila no Grupo Mundial.

Djokovic falou que só cresceu e recuperou a liderança no fim do ano porque chegou inteiro até essa parte da temporada, uma lição que aprendeu em 2011. As expectativas sobre ele talvez nunca foram tão grandes como agora. Em 2012, era esperado que ele não conseguisse repetir a série de vitórias e caísse um pouco. Porém, agora, ficar na ponta é quase uma obrigação para o sérvio.

MURRAY

O britânico fez uma exibição em Miami, onde treina nessa época, e jogou em Abu Dhabi antes de ir a Brisbane. Chamar o que Murray faz de pré-temporada não dá uma dimensão muito exata de sua carga de treinamento. Os relatos dos jornalistas britânicos que foram convidados para acompanhar um dia deram a entender que se tratava de um atleta se preparando para o Iron Man.

Murray, que curiosamente tinha preguiça de treinar quando adolescente, tornou-se um verdadeiro viciado em preparo físico. O escocês já disse que o motivo de ter demorado tanto pra se recuperar da derrota na final australiana de 2011 foi porque ele lembrou que havia passado o Natal de 2010 correndo na praia de Miami sozinho.

Os Murray geralmente antecipam a ceia para o começo de dezembro, para que ele possa trabalhar sem interrupções depois. Acho que deu para entender. Seja por esse 'campo' ou não, o fato é que Murray sempre joga bem no Australian Open. Foi vice-campeão em 2010 e 2011 e perdeu uma semifinal insana pra Djokovic em 2012.

Durante a maior parte de sua carreira, Murray jogava muito bem nos torneios Masters 1000 e deixava a desejar nas últimas rodadas de Slam. O ano passado foi o inverso: Murray conseguiu dois títulos históricos, mas 'fracassou' nos Masters (duas finais é algo abaixo do seu padrão). O único título além das Olimpíadas e do US Open foi Brisbane, um ATP 250. O desafio de Murray pra 2013 é conciliar esses dois mundos.

Prepare seu café.


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O último post do ano
às 11h37 por Sheila Vieira

2012 foi um ano para agradar a todos os fãs de tênis. Se você é federista, viu seu ídolo voltar a vencer um Slam, justamente em Wimbledon, e quebrar o recorde de semanas no topo do ranking. Caso teve a oportunidade de estar em São Paulo na Federer Tour, viu o suíço de pertinho e talvez tenha tirado uma foto com ele.

Para os djokovistas (acabei de inventar a expressão), o ano também foi muito especial. A vitória épica no Australian Open, a volta por cima após perder a liderança e ficar fora do pódio das Olimpíadas. Djokovic fez um final de ano praticamente perfeito e terminou a temporada como número 1. Ainda por cima, fez uma belíssima homenagem ao Guga no Rio de Janeiro.

Fã de Andy Murray? Seu ano foi de lavar a alma. Primeiramente, a quebra do tabu da final de Wimbledon. Em seguida, o torneio próximo da perfeição nas Olimpíadas. Para fechar, o inédito Grand Slam numa partida de cinco sets contra Djokovic no US Open.

Os nadalistas ainda têm saudades do 'vamos', das belas passadas, da vibração, dos tiques, das garrafas milimetricamente arrumadas, do forehand cruzado que some do alcance do oponente. Mas 2012 ainda foi o ano em que Rafa venceu Roland Garros pela sétima vez, firmando-se como o maior ícone do saibro e um dos melhores da história.

Gosta da Sharapova? Você viu a bela conquistar o piso lento e completar o Career Slam em Roland Garros. É louco por Serena? Acho que Wimbledon, Olimpíadas, US Open e Istambul estão bons para você. Sempre esperou pelo momento em que Azarenka pudesse enfrentar sem medo jogadoras muito mais experientes? Foi um feliz 2012.

Quem acompanha o tênis brasileiro também teve seu momento especial: a volta ao Grupo Mundial, que tive a oportunidade de presenciar.

As questões que ficam são:

- o Brasil conseguirá permanecer no Grupo Mundial?
- quem ficará na liderança da WTA por mais tempo?
- Nadal voltará a ganhar títulos na quadra rápida ou grama?
- Murray ganhará outro Slam?
- Federer e Djokovic conseguirão defender todos os pontos que conquistaram em 2012?

Estou ansiosa para saber as respostas. Feliz 2013.

Se vocês acompanham o Tenisbrasil, devem ter visto algumas entrevistas que eu fiz. Estive na Costa do Sauípe acompanhando a Brasil Masters Cup. Gravei alguns pequenos trechos de jogos e premiações e coloquei no YouTube, que derrubou bastante a qualidade da imagem. Mas, como diz Rafa, I TRIED MY BEST.

Os finalistas do profissional masculino: Thiago Monteiro e Rogerinho

O torneio feminino foi vencido pela Paula Gonçalves, em final contra Carla Forte. Apesar de ter 16 anos, Bia também jogou o profissional.

Bellucci, Melo, Soares e Sá fizeram uma divertida exibição de duplas

Os juvenis também estiveram por lá, incluindo João Walendowsky (campeão do 18) e Orlandinho (campeão do 16, com 14 anos)

Guga Kuerten foi presença ilustre na Costa do Sauípe e falou com a imprensa

Um vídeo que gostaria de recomendar no final do post é esse pequeno documentário (10 minutos) sobre a cidade de Dunblane, que passou pela tragédia do assassinato de 16 crianças em 1996 e superou seus traumas graças a Andy Murray. Espero que a população de Newtown consiga também seguir a vida.

Até a próxima.


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10 jogos marcantes de 2012 - WTA
às 13h31 por Sheila Vieira

Demorou, atrasou, mas está aqui. Em ordem cronológica:

Clijsters v. Li - oitavas de final do Australian Open
Um confronto muito esperado desde que a chave saiu, por ser a reedição da final de 2011 e, provavelmente, o último jogo de Clijsters na Rod Laver Arena. A belga esteve pertíssimo da eliminação no segundo set, quando Li abriu 6-2 no tiebreak. Porém, como de costume, a chinesa sentiu a pressão e perdeu em três sets. Clijsters perderia apenas na semifinal para Azarenka.

Azarenka v. Sharapova - final do Australian Open
O jogo em si não foi muito emocionante. Sharapova abriu 3/0 no primeiro set e depois não fez mais nenhum game. Porém, a partida marcou a ascensão de Azarenka ao grupo de vencedoras de Slam e à liderança do ranking mundial, deixando a russa, Caroline Wozniacki e Petra Kvitova para trás.

Sharapova v. Li - final de Roma
Uma das viradas clássicas de Sharapova e derrotas clássicas da chinesa. Li ganhou o primeiro set por 6/4 e abriu 4/0 no segundo. Em seguida, a chinesa começou a errar cada vez mais e perdeu seis games seguidos. Terceiro set e a vez de Sharapova perder a vantagem de 4/1. Em 6/6, a chuva apertou e paralisou o jogo. Na volta, o tiebreak foi apertado, debaixo de garoa, e vencido pela russa. As duas se encontraram na rede dando risada.

Razzano v. Serena - primeira rodada de Roland Garros
A partida foi sensacional. Serena venceu o primeiro set, foi ao tiebreak do segundo e abriu 5-1. Porém, a grande campeã fraquejou diante da tenista local. Serena levou a virada no tiebreak e chorou em seu banco. Desorientada, perdeu cinco games seguidos no terceiro set. Então foi a vez de Razzano tremer. Serena devolveu uma das quebras e lutou no épico 5/3. Foram 23 minutos, 12 deuces e cinco match-points salvos, até que a francesa se tornou a primeira tenista a bater Serena na estreia de um Slam.

Sharapova v. Errani - final de Roland Garros
A partida foi extremamente fácil para a russa, mas foi impossível não se emocionar com sua comemoração. Não era 'apenas' um título de Slam. Era o Career Slam. O símbolo de todo o esforço que a russa fez após a cirurgia no ombro, sua evolução no saibro e liderança do ranking naquele momento.

Shvedova v. Errani - terceira rodada de Wimbledon
A cazaque fez um Golden Set. Sem mais.

Serena v. Sharapova - Olimpíadas
A dúvida era se Sharapova conseguiria ameaçar Serena na grama, algo que sabemos ser uma missão praticamente impossível. Acabou sendo um massacre de 6/0 e 6/1, marcando definitivamente a volta de Serena ao posto de melhor jogadora do mundo. Sharapova não foi a única vítima. Todas as adversárias da norte-americana foram pisadas até a medalha de ouro.

Robson v. Clijsters - segunda rodada do US Open
Quem seria a tenista a aposentar Clijsters? Uma garota de 18 anos. Robson fez a partida de sua vida contra a simpática belga e engrenou no circuito. Em seguida, derrotou Na Li e perdeu nas oitavas para Samantha Stosur.

Azarenka v. Stosur - quartas de final do US Open
Jogo de altíssimo nível técnico e decidido no tiebreak do terceiro set. A bielorrussa ganhou o primeiro set com facilidade, mas a australiana mostrou grande poder de reação e levou ao terceiro.  Azarenka e Stosur fizeram jogadas espetaculares, como a curtinha de backhand da número 1 após correr para pegar uma bola que havia tocado a rede. No tiebreak, Azarenka abriu 4-0, perdeu os minibreaks, mas alcançou a semifinal em Nova York.

Serena v. Azarenka - final do US Open
Ao mesmo tempo em que um massacre de Serena seria bem possível, a norte-americana tinha memórias péssimas de suas últimas participações em Nova York. O primeiro set indicava que a primeira opção era a correta: 6/2 para Serena. O primeiro game do segundo foi uma quebra para a norte-americana. Porém, Azarenka reagiu, empatou e o nervosismo tomou conta de Serena. Terceiro set. Em 3/3, a bielorrussa quebrou de zero o saque da tenista da casa. Em 5/4, ela sacou para o título. Não ganhou mais nenhum game. 7/5 para Serena, 15º Slam e fim de trauma.

Menções honrosas: Makarova v. Serena (Australian Open), Azarenka v. Cibulkova (Miami), Sharapova v. Azarenka (Stuttgart), Kanepi v. Wozniacki (Roland Garros), Kerber v. Lisicki (Wimbledon), Serena v. Radwanska (Wimbledon), Kerber v. Venus (US Open), Bartoli v. Kvitova (US Open), Sharapova v. Bartoli (US Open), Radwanska v. Errani (Masters de Istambul) e Azarenka v. Kerber (Masters de Istambul).


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Eu vi... a Federer Tour
às 12h11 por Sheila Vieira

Eu vi o Federer parar para dar autógrafos todas as vezes que saía ou chegava em algum lugar.


Eu vi a Serena dizer que sua meta no Brasil era comprar biquínis.

Eu vi Serena dizer que achava biquínis para a Venus e acabava pegando para ela mesma.

Eu vi a Azarenka dançar Teló e fazer embaixadinha.

Eu vi a Azarenka treinando as embaixadinhas na manhã do jogo.

Eu vi o Federer bater bola com o Guga e a Maria Esther Bueno. Eu falei com ela pela primeira vez.


Eu vi o Tsonga fugindo dos pernilongos na quadra de treino.

Eu vi um cara subir num carro para ver o Federer e a Azarenka chegando.

Eu vi a Azarenka dizer para mim que estava solteira. Eu vi os jornalistas ficarem animadíssimos com isso.

Eu vi a Serena não querer gente tirando fotos do treino dela.

Eu vi o Rory McIlroy entrar mudo e sair calado.

Eu vi a Sharapova responder duas perguntas minhas a meio metro de mim.

Eu vi a Sharapova mandar bem na rede contra os fãs e jornalistas de sua clínica. Eu vi todos que fizeram a clínica com ela babando.

Eu vi o Tsonga criticar o ginásio do Ibirapuera.

Eu vi jornalistas tirando fotos e pedindo autógrafos para o Federer. Não tinha vontade de foto, mas não resisti ao autógrafo.


Eu vi muitas pessoas com quem eu conversava na internet e vieram a São Paulo só para o evento.

Eu vi o Federer tentar entender português, não conseguir e zoar o tradutor.

Eu vi as fotos dos meus amigos com os jogadores e fiquei muito feliz por eles.

Eu vi a Serena entender bastante coisa em português.

Eu vi Robert Federer sentar entre os jornalistas na coletiva do filho. No dia seguinte, ficar na área da imprensa na quadra, sem fazer questão nenhuma dos lugares VIPs.

Eu vi a Wozniacki imitar a Serena.

Eu vi Federer 'se esconder' no fundo da quadra.


Eu vi o Carteirito roubar a cena. Eu falei com o Carteirito.

Eu vi o Tommy Haas. Basta.

Eu vi um Thomaz Bellucci mais solto.

Eu vi o Marcelo Melo e o Bruno Soares sendo simpáticos. Como sempre.

Eu vi os irmãos Bryan estendendo a mão para mim.

Eu vi que o Bruno Senna é muito magro. Eu achava que pilotos eram todos fortões. Eu não entendo muito de automobilismo.

Eu vi o ginásio mais tradicional da minha cidade natal receber alguns dos meus ídolos.

Eu vi o Bellucci dançar. Ou melhor, tentar.

Eu vi o Federer e o Haas jogando futebol na quadra com a camisa da seleção brasileira.

Eu percebi que eu tenho mais carinho por eles do que pela seleção brasileira.

Eu vi o ginásio vazio, a sala de imprensa vazia. E nem podemos dizer 'ano que vem tem mais'. Só teremos as memórias.


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10 jogos marcantes de 2012 – ATP
às 13h47 por Sheila Vieira

Em ordem cronológica:

Djokovic v. Murray – semifinal do Australian Open

O sérvio estava sob enorme pressão. Uma derrota na semifinal já faria com que ele perdesse mais de mil pontos no ranking. Já Murray tinha que provar que Ivan Lendl não era apenas mais uma pessoa assistindo de perto às suas derrotas em partidas decisivas. Djokovic ganhou o primeiro set com facilidade, Murray venceu o segundo e um disputadíssimo terceiro. Em seguida, o britânico cansou e foi atropelado no quarto set. Com moral, o sérvio abriu 5/2 no quinto e o jogo parecia liquidado. Porém, Murray empatou em 5/5 e chegou a ter um break-point para sacar em 6/5. No final, deu Djokovic por 7/5 e permaneceu a dúvida: Murray está cada vez mais perto ou suas chances estão acabando?

Djokovic v. Nadal – final do Australian Open

Não sei se foi a melhor partida do ano, mas certamente foi a mais desgastante, tanto para os jogadores quanto para quem assistia. Além disso, foi o jogo de tênis que mais mobilizou pessoas que geralmente não acompanham esse esporte. Não me esqueço daquela manhã de domingo em que todas as pessoas do meu Twitter comentavam Djokovic x Nadal. Foi o assunto do dia e do próximo dia. Ofuscou o futebol. Uma batalha incrivelmente física com lances geniais e uma aula de resistência e amor pelo esporte do sérvio e do espanhol.  Cinco horas e 53 minutos, a final de Slam mais longa da história. Djokovic rasgando a camisa. A cerimônia de premiação com os finalistas se apoiando nos joelhos até que alguém trouxe cadeiras. Um dia especial.

Isner v. Federer – primeira rodada da Copa Davis

Uma característica do tênis masculino nos últimos anos é a dominância do Quarteto. Qualquer derrota de um deles para jogadores quem não estejam nesse grupo é uma zebra descomunal. Apesar de não ter sido a maior zebra do ano, a vitória de John Isner sobre Federer na Copa Davis foi marcante por alguns motivos. Primeiro: o jogo era na Suíça. Segundo: era no saibro, terreno que os norte-americanos odeiam e onde Federer se vira muito bem. Terceiro: era uma partida muito importante, já que Wawrinka havia perdido para Fish anteriormente. Quarto e, na minha opinião, o mais interessante: Federer fez mais aces do que Isner nesse jogo.

Djokovic v. Tsonga – quartas de final de Roland Garros

Essa zebra ficou no quase. Seria algo muito grande: o número 1 da França chegando à semifinal. Tsonga perdeu o primeiro set rapidamente, mas se recuperou vencendo o segundo e o terceiro. No quarto, o francês teve quatro match-points. Todos salvos de maneira absurdamente corajosa pelo sérvio. No quinto, Tsonga desabou mentalmente. Enquanto os jogadores saiam da Philippe Chatrier, o público olhava atordoado pelo ‘terremoto’ que havia acontecido.

Nadal v. Djokovic - final de Roland Garros

O jogo que deu o recorde de títulos de Roland Garros a Rafa foi extremamente nervoso. O espanhol ganhou os dois primeiros sets, Djokovic quebrou seu próprio banco com um chute, a garoa caía, mas não havia interrupção. Quando aconteceu, irritou os dois tenistas. O sérvio venceu o terceiro e tinha uma quebra de vantagem no quarto. Será que Nadal perdia a quarta final de Slam seguida para o rival, desta vez em Paris? Houve o adiamento do resto da partida para a segunda-feira. Nadal quebrou logo de cara e terminou sua vitória, que acabou sendo sua verdadeira despedida de 2012.

Rosol v. Nadal – segunda rodada de Wimbledon

Maior zebra do tênis nos últimos cinco anos (pelo menos), o jogo foi o último que Nadal disputou em 2012. As condições físicas do espanhol não eram ideais e, se fossem, talvez os saques do tcheco encontrariam mais a raquete de Rafa. Porém, os méritos de Rosol não podem ser relevados. O tcheco atacou brilhantemente, não tremeu, segurou o tranco fisicamente e conseguiu tirar Nadal do sério. Rosol foi Soderling no que o sueco tinha de mais particular. 

Federer v. Murray – final de Wimbledon

Valia muito para os dois. Federer voltaria a ser o número 1 do mundo e venceria seu primeiro Slam em dois anos. E Murray... bem, seria o primeiro britânico a vencer um Slam desde 1936. Wimbledon foi uma necessária reação do suíço e do britânico após quatro finais de Slam seguidas entre Nadal e Djokovic. Justo que tenha acontecido na grama, onde os dois se sentem muito confortáveis. Murray ganhou o primeiro set e teve chances no segundo, mas Federer levou a melhor na parcial e cresceu. Com a chuva e o teto fechado, não houve reação. Restou a Murray fazer um discurso sofrido e emocionado, que trouxe a opinião pública para o seu lado, algo que o ajudou muito um mês depois.

Federer v. Del Potro - semifinal das Olimpíadas

O jogo em que mais senti pena dos tenistas depois de Djokovic x Nadal de Melbourne. Foram quatro horas e 26 minutos em três sets debaixo do sol londrino. O argentino fez uma excelente partida e resistiu bem mentalmente. Porém, no físico, o cara de 31 anos era mais forte. Assim que a partida acabou, Federer beijou a bandeira suíça em sua camisa e Del Potro ficou desolado. Porém, o argentino ganhou um merecido prêmio de consolação na medalha de bronze.

Murray v. Federer – final das Olimpíadas

Murray disse em Wimbledon que estava “getting closer”. Nos Jogos Olímpicos, ele chegou. Uma partida agressiva e criativa do britânico junto à inconsistência de Federer resultou num jogo de três sets incrivelmente rápido. Não era um Slam, mas era uma vitória numa partida de cinco sets contra Federer na Quadra Central com a bandeira britânica em sua roupa e no pódio. Naquele momento, a Inglaterra não podia negá-lo. 

Murray v. Djokovic – final do US Open

O US Open da ventania não poderia acabar de outra maneira. A final foi uma bagunça. As condições na quadra prejudicaram bastante a qualidade do jogo. Com mais variação, Murray acabou levando os dois sets de forma nervosa. O britânico jogou de forma bem diferente da final das Olimpíadas: foi o Murray defensivo, do contra-ataque, dos ralis, da hesitação. O vento parou de soprar quando Djokovic venceu o terceiro set e conseguiu a quebra no quarto. Já no final do penúltimo set, no entanto, o britânico estava melhor. A superioridade foi demonstrada no quinto set, no qual Djokovic não tinha mais força para continuar. Em sua quinta final de Slam, Murray finalmente quebrou o jejum.

Djokovic v. Federer – final do ATP Finals

Os dois tenistas que mais somaram pontos na temporada se encontraram no seu encerramento. Djokovic vinha de uma campanha impecável, enquanto Federer sofreu uma derrota para Del Potro e depois compensou com um belo triunfo sobre Murray. O suíço teve uma quebra de vantagem nos dois sets, chegou a sacar para o segundo, mas o ‘highlander’ sérvio atacou de novo. Após muitas jogadas plásticas, Djokovic fechou 2012 com uma passada de backhand.

Menções honrosas: Nadal v. Federer (semifinal do Australian Open), Isner v. Djokovic (semifinal de Indian Wells), Federer v. Del Potro (quartas de Roland Garros), Federer v. Benneteau (Wimbledon), Ferrer v. Tipsarevic (quartas do US Open), Djokovic v. Murray (final de Xangai) e Del Potro v. Federer (final da Basileia).

Os 10 jogos mais marcantes da WTA serão publicados nesta quarta-feira.


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Guia de SP para Federer
às 09h39 por Sheila Vieira

Roger Federer está chegando ao Brasil para liderar um grande evento de exibição em São Paulo a partir de quinta-feira. Como boa paulistana que sou, estou me oferecendo para ser a guia turística do suíço nesse período (kidding, não estou). Veja como seria o meu roteiro de visitas pela cidade com o campeão de 17 Grand Slam:

Terraço Itália: após descansar de uma longa viagem, Federer pode jantar com seus acompanhantes em um dos lugares mais tradicionais da cidade, que também funciona praticamente como observatório de São Paulo, por estar a 165 metros do chão.

Cidade Universitária: meu primeiro passo com Federer na manhã paulistana seria no campus do Butantã da USP. Além de ser um lugar bom para fazer uma corridinha, ou até mesmo pedalar, a universidade poderia usar o suíço para dar palestras para diversos estudantes. Federer depois passaria na comunidade São Remo, que está ali ao lado, para inaugurar uma quadra (Djokovic feelings).

Oscar Freire: hora de fazer compras! Com as melhores lojas estrangeiras e brasileiras, Federer pode comprar os presentes de Natal para dona Lynette, Mirka, as gêmeas, Severin Luthi e até levar umas camisas novas para o Wawrinka.

Árvore de Natal do Ibirapuera: um programa mais light para compensar as horas andando pela cidade. Perto do ginásio onde Federer jogará, está a alta e iluminada árvore de Natal no lago. Há uma apresentação bonita com música e tudo. Ele pode filmar e colocar no Facebook depois.

Obras do Itaquerão: no meu roteiro, não poderia faltar algo da Zona Leste. Portanto, eu levaria o número 2 do mundo às obras do estádio do Corinthians. Federer poderia dar entrevistas durante o longo caminho, bater uma bola com o Ronaldo e dar autógrafos para os trabalhadores que estão colocando o estádio da abertura da Copa do Mundo de pé.

Museu do Futebol: continuando no clima futebol, um lugar obrigatório é o Pacaembu. Além do estádio, há o museu, que tem um método de exposição muito interessante e moderno, apostando no audiovisual e nas sensações, principalmente na seção das torcidas.

Rua Augusta: se Federer quisesse experimentar as baladas paulistanas, eu o levaria para a travessa da Avenida Paulista. Sim, ela é conhecida por "outros motivos", mas atualmente tem diversos lugares para se divertir e ouvir boa música. Se ele achasse muito pesado, era só andar até a Paulista para ver as luzes de Natal que param o trânsito.

Mercado Municipal: o café da manhã seria, obviamente, o sanduíche de mortadela. Espero que Federer possa furar a fila gigante para receber o seu. O suíço também compraria nossas deliciosas frutas e comidas tropicais.

Karaokê da Liberdade: além de conferir as lojas de bugigangas no fofo bairro japonês, Federer faria um show num karaokê (outra coisa para postar no Facebook). A lista de músicas desses lugares é tão completa, que deve ter até bandas suíças.

Praça Roosevelt ou Vida Madalena: barzinhos para fechar a programação,  até porque tem jogo no dia seguinte!

Importante: não sei qual é a programação real do Federer em São Paulo.

Importante: a ideia deste post veio da Lhys.


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As exibições mais engraçadas
às 18h16 por Sheila Vieira

O segredo de uma boa exibição não é necessariamente colocar os melhores jogadores em quadra. Se a partida não vale um título, ninguém vai se matar de esforço. É preciso que os participantes entendam que se trata de um espetáculo de esporte e humor. Ou seja, que se preocupem em interagir e provocar risadas do público.

Novak Djokovic e Gustavo Kuerten deram uma aula de como fazer uma exibição neste sábado, no Maracanãzinho. Tive a oportunidade de estar lá e acompanhar todas as fanfarronices: o garotinho dando um lob no Guga, as meninas massageando o sérvio, as danças e, acima de tudo, a imitação perfeita do catarinense feita por Djokovic. Para fechar, o coro 'Olê olê olê olá, Guga, Guga", enquanto o brasileiro desenhou o coração no saibro. Por mais que o atual número 1 fosse o convidado, o homenageado sempre será Guga, como deve ser.

Considero o Guga x Nole uma das melhores exibições que eu já vi. Mas outras também foram memoráveis, como as quatro que listo abaixo:

Hit for Haiti - 2010
Roger Federer, Rafael Nadal, Novak Djokovic e Samantha Stosur em quadra em Melbourne. O suíço e o espanhol começam um rali cheio de gemidos suspeitos, o sérvio resolve sentar de tédio e a australiana é quem termina a brincadeira.

Para quem quer ver a exibição inteira:

 

World Tennis Championship (Llodra de cueca) - 2011
Franceses fazem coisas engraçadas até em partidas sérias, imagine em exibições. Michael Llodra e Henri Leconte estavam jogando contra Ryan Harrison e John McEnroe em Adelaide e decidiram fazer um strip-tease. Ponto alto: a cueca do Llodra.

 

Madison Square Garden Roddick x Federer - 2012
Um dos grandes momentos do último ano de Roddick no circuito, a exibição em Nova York neste ano teve uma épica imitação de Rafa Nadal e uma entrevista pós-jogo hilária do norte-americano ("Estou obviamente na cabeça do Roger. Ele não tem ideia de como me vencer e é péssimo sob pressão. Usei isso ao meu favor").

Imitação do Nadal:

A entrevista:

Melhores momentos:


Rally for Relief - 2011
Essa foi a melhor exibição que eu vi. Contou com muita gente (Djokovic, Federer, Nadal, Murray, Roddick, Azarenka, Zvonareva, Clijsters, Henin, Ivanovic, Wozniacki, Hewitt, Rafter e Stosur - acho que não esqueci ninguém) e foi longa. A primeira parte foi 'comandada' por Djokovic e Roddick e a segunda parte por Federer e Nadal. Os melhores momentos foram Roddick interrompendo o fute-tênis, Djokovic jogando sentado (de novo) e 'roubando' uma câmera fotográfica, além de Roger e Rafa formando uma dupla no final.

Não lembrei de alguma exibição marcante? Poste a sua preferida nos comentários!


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Diário do Finals - Sem chocolate hoje
às 00h05 por Sheila Vieira

"Sem chocolate hoje, desculpe". Essa foi a primeira coisa que Novak Djokovic disse aos jornalistas após vencer o ATP Finals. Para quem não acompanhou, o sérvio distribuiu chocolates à mídia ao vencer a semifinal contra Juan Martin del Potro. Tudo divertido e tranquilo na Djokerland então, certo?

Não exatamente. Há mais de duas semanas, Srdjan Djokovic vem lutando contra problemas respiratórios e chegou a ficar internado. O número 1 chegou a fazer um bate-e-volta entre Paris e Belgrado. Djokovic sempre desconversava quando se perguntava sobre seu pai, mas afirmou que dedicava seu troféu a ele.

O que tudo isso influenciou no desempenho de Djokovic durante o torneio? Nem tanto, talvez. Era esperado que o sérvio passasse por Jo-Wilfried Tsonga, tivesse talvez dificuldades contra Tomas Berdych e fizesse uma partida dura contra Andy Murray. Além disso, Nole já virou praticamente um especialista em reverter placares em jogos importantes. Mesmo quando não conseguiu a vitória (final do US Open), é quase certo que ele encontrará uma maneira de forçar o empate e deixar o adversário em dúvida, nervoso.

Federer não escapou, apesar de ter feito uma boa partida, com alguns pontos de virar hit no YouTube. Não acho difícil de entender por que o suíço ainda está jogando tênis. É mais incompreensível perguntá-lo sobre qual é a sua motivação. Jogar bem, estar entre os melhores, disputar títulos e ser amado no mundo inteiro é mais do que suficiente.

Não podemos esquecer, o dia também teve outros campeões: Marcel Granollers e Marc López ou, como eu costumo chamar, os manos do Rafa. Ambos são amigos do número 4 do mundo e jogaram com ele ocasionalmente. A dupla realmente deu certo, com a supervisão do capitão da Davis Alex Corretja, e coloca mais um elemento interessante na decisão que haverá em Praga neste final de semana.

Destaco dois momentos da premiação das duplas: Granollers dizendo "desculpe por meu inglês, vou tentar o meu melhor" e os dois mordendo o troféu. Sim, Rafa, realmente fez falta em Londres.

O que posso dizer para encerrar esse diário é que foi uma honra acompanhar os melhores do mundo jogando diante de um público entusiasmado, num local preparado para receber grandes eventos. Não tenho do que reclamar das condições para a imprensa. A rede sem fio não chegava na quadra, mas tínhamos transcrições das entrevistas com rapidez, estatísticas, dados importantes e anúncios. Além disso, água à vontade, um lounge e um restaurante (pode parecer frescura, mas jornalistas costumam ter alimentação desregulada).

É hora de voltar para casa e da montanha ir até Maomé. Hora de Djokovic e Federer conhecerem o Brasil.


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Diário do Finals, dia 7
às 20h43 por Sheila Vieira

Quem é o melhor jogador da temporada? O que somou mais pontos e chegou mais vezes às fases finais dos torneios ou quem escalou a montanha do número 3 ao 1, vencendo um Slam após dois anos? Uma parte da resposta será dada nesta segunda-feira, às 18h. Novak Djokovic e Roger Federer fazem o duelo mais equilibrado possível entre os oito participantes do torneio.

Pela semifinal, Djokovic e Juan Martin del Potro fizeram um primeiro set disputadíssimo, com chances de quebra para os dois lados. O argentino aproveitou primeiro e num momento crucial: em 4/4. Nesta parcial, o sérvio venceu apenas 33% dos pontos no segundo serviço e cometeu o dobro de erros não-forçados do argentino.

A situação ficou ainda mais complicada para Djokovic quando Del Potro quebrou no terceiro game do segundo set, após um curioso ponto de várias trocas de slices. Porém, o sérvio devolveu logo em seguida e, pela milésima vez na carreira, saiu da 'tumba' para conquistar a vitória.

O momento mais divertido do dia foi na coletiva de imprensa do número 1 (que atrasou bastante, diga-se), mas compensou de uma maneira bem especial: dando chocolates a todos os jornalistas. O sérvio pegou caixinhas com bombons e foi a cada fileira oferecê-los à imprensa. Posso compartilhar que o chocolate era ótimo. Infelizmente, não encontrei fotos.


Obrigada pelo chocolate, Nole.

Já Del Potro mostrou o quanto quer dar um tempo de tênis agora. Ao ser perguntado se assistiria ao jogo entre Federer e Murray, o argentino foi sincero: "Vou ver futebol".

Eu, ao invés de ver o título do Fluminense e o rebaixamento do Palmeiras, fui à quadra acompanhar a segunda semifinal do dia. A torcida estava majoritariamente com Federer, entre suíços, pessoas de diversos países e até mesmo britânicos. Houve um momento em que Murray foi trocar de raquete e foi muito vaiado pelo público justamente no final do primeiro set, o momento mais crítico do jogo.

O britânico quebrou no primeiro game da partida e abriu 4/2 de vantagem, mas Federer ganhou três games seguidos e também virou o placar no tiebreak. O suíço foi infinitamente superior no segundo set e está pela oitava vez na decisão do Finals. Com a torcida contra numa quadra coberta, acho improvável que Djokovic vença sua última partida de 2012.

A final de duplas será entre entre Índia e Espanha. Rohan Bopanna e Mahesh Bhupathi jogaram pior do que Leander Paes e Radek Stepanek em praticamente todo o jogo, mas viraram um 3-7 no match tiebreak e venceram. Já Marcel Granollers e Marc López não tiveram dificuldades contra Frederik Nielsen e Jonathan Marray.

Falta apenas um dia.

 


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Diário do Finals, dia 6
às 19h29 por Sheila Vieira

E eu achava que o Grupo A me obrigaria a fazer contas! No final das contas, o mais complicado acabou sendo o B. Novak Djokovic tenta chegar à final no duelo contra Juan Martin del Potro e Roger Federer enfrenta Andy Murray pela enésima (quinta) vez apenas em 2012.

O clima da torcida estava mais calmo em relação aos primeiros dias. A classificação garantida de Federer fez com que o público britânico quisesse uma partida disputada, ou seja, que Del Potro ameaçasse o hexacampeão. Podemos dizer que eles tiveram exatamente isso.

Del Potro não teve nenhum break-point no primeiro set. Já Federer teve três no oitavo game, todos salvos com bons saques do argentino. Já o 4/4 foi, na minha opinião, o melhor game do torneio até agora. Um dos pontos teve um gran willy de Federer e o outro um de Del Potro (que precisou levantar uma de suas pernas gigantes para conseguir o golpe).

No tiebreak, Del Potro abriu 6-1 com muita rapidez e perdeu mais dois pontos antes de fechar o set. Federer cometeu 21 erros não-forçados na parcial. Porém, o argentino ficou desatento no começo do segundo e sofreu a quebra. Del Potro passeou no terceiro e a 'confusão' começou.

O sistema de classificação para a semifinal do torneio é assim: se houver empate de número de vitórias entre DOIS tenistas, o desempate é pelo confronto direto. Caso haja TRÍPLICE empate, o primeiro critério é saldo de sets.

Portanto, a vitória de Del Potro definiu os dois classificados do grupo, mas não quem ficaria em primeiro. Se David Ferrer vencesse Janko Tipsarevic, o espanhol, o argentino e o suíço ficariam com duas vitórias. Então o desempate seria por saldo de sets e Federer passaria em primeiro.

Já se Tipsarevic triunfasse, apenas Federer e Del Potro somariam duas vitórias. A definição do primeiro colocado seria pelo confronto direto, colocando o sul-americano na liderança do grupo B. Ferrer ensaiou uma derrota ao perder o primeiro set, mas confirmou o favoritismo numa partida de extremo mau humor dos dois jogadores.

O torneio de duplas teve a definição da segunda vaga do Grupo A. Os irmãos Bryan perderam no match-tiebreak para Leander Paes e Radek Stepanek e dependiam de uma derrota de Marcel Granollers e Marc López. No entanto, os espanhóis avançaram em dois sets e continuam em busca do título (além de fazerem uma bela preparação para a Davis).

A partir deste sábado, não há mais contagem de games ou sets. É tudo ou nada, como sempre deve ser no tênis. 


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Diário do Finals, dia 5
às 19h39 por Sheila Vieira

Assim que cheguei à sala de imprensa nesta sexta-feira, peguei a folha que explicava todos os cenários possíveis de classificação para o Grupo A. Eram 10 no total. Porém, no fim das contas, a calculadora nem foi tão necessária. Novak Djokovic e Andy Murray avançaram à semifinal do torneio.

Djokovic teve um primeiro set muito tranquilo contra Tomas Berdych e tudo indicava que o segundo seria outro passeio quando o sérvio abriu 3/1. Porém, a arena começou a empurrar o tcheco (rolou até um 'I love you, Tomas) e Berdych quebrou de volta. O jogo ficou bastante disputado e a frustração de Djokovic era cada vez mais notável.

No tiebreak, Berdych foi superior desde o começo e abriu 4-1, depois 6-3. Djokovic salvou os dois primeiros set-points no seu próprio saque e Berdych desperdiçou o terceiro com um erro. O sérvio viu a linha de chegada e cruzou rumo à semifinal.

Quando Djokovic ganhou o primeiro set, sua classificação já estava garantida. Mas um terceiro set contra Berdych eliminaria Tsonga, fazendo com que Murray enfrentasse alguém já sem ambições no torneio. O francês entrou em quadra como se já estivesse realmente eliminado. O britânico abriu 4/0, fechou em 6/2 e perguntou para o árbitro de cadeira se estava classificado. Aparentemente, disseram que sim, porque Murray jogou de forma bastante displicente no segundo set e Tsonga decidiu 'aparecer'. Foi um susto, mas o número 3 decidiu no tiebreak.

Antes da partida contra Tsonga, circulei pela arena e conversei com alguns torcedores britânicos a respeito da desconfiança que o país ainda tem com Murray. As respostas foram muito parecidas: por mais que o escocês tenha melhorado muito neste ano, principalmente no quesito comportamental, ainda não é aquele nome em que se aposta para um grande torneio.

Nas duplas, a primeira partida foi um confronto direto pela semifinal: Daniel Nestor e Max Mirnyi, atuais campeões, foram eliminados por Mahesh Bhupathi e Rohan Bopanna. Os indianos passaram em segundo lugar, após Jonathan Marray e Frederik Nielsen, que perderam a partida de 'cumprir tabela' contra Robert Lindstedt e Horia Tecau.

A programação também teve uma pequena homenagem para Juan Carlos Ferrero. O ex-número 1 do mundo recebeu um troféu na presença de Nicolás Almagro, Marcel Granollers, Marc López, David Ferrer, Alex Corretja e Novak Djokovic. Andy Murray e Roger Federer mandaram mensagens pelo telão.

Já a entrevista de Djokovic rendeu declarações interessante do sérvio a respeito de Bernard Tomic, que pulou as semanas finais da temporada e se envolveu em mais uma confusão com a polícia australiana. "Não é a coisa certa para ele neste momento da carreira. Ele precisa encontrar uma maneira de se focar no tênis se quiser ser um dos melhores do mundo. Ele já provou que tem habilidade, qualidade e talento. Mas isso não é o suficiente para alguém que quer jogar no nível mais alto".

Os oito jogadores em Londres nesta semana só chegaram onde estão porque aprenderam cedo esta lição.


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Diário do Finals, dia 4
às 20h19 por Sheila Vieira

Diria que esse foi o dia mais morno da competição até agora. O clima já era leve na entrada da arena, onde os gritos de "Roger" não eram tão fortes quanto terça-feira. Por outro lado, as bandeiras espanholas apareceram em peso na torcida, além de algumas faixas lembrando de Nadal.

Desde o começo do confronto entre Federer e Ferrer, o suíço não estava encaixando o primeiro serviço. No meio da parcial, ele tinha apenas 39% de acerto. Porém, como o próprio número 2 disse após a partida, o segundo saque foi muito eficaz e manteve o espanhol sem muita chance de atacar.

Federer abriu 3/0, mas Ferrer conseguiu empatar em 3/3. Os dois confirmaram seus serviços até o espanhol fazer um péssimo game em 4/5. Diante de um 'não-freguês', Federer provavelmente não teria escapado desse set.

Ferrer cuidou melhor do saque no segundo set, mas não teve muitas chances no tiebreak. Sua postura na entrevista após o jogo mostrou muito bem como Ferrer aceita bem as derrotas. O que explica também sua dificuldade para ganhar dos membros do top 4.

No torneio de duplas, Leander Paes e Radek Stepanek se classificaram para as semifinais ao derrotarem os espanhóis Marcel Granollers e Marc López. Os dois fizeram de novo aquela 'dança do acasalamento' bizarra. Em seguida, houve o primeiro triunfo dos irmãos Bryan, contra Aisam-ul-Haq Qureshi e Jean-Julien Rojer.

A sessão noturna teve o atropelamento de Janko Tipsarevic por Juan Martin del Potro, apesar da torcida pelo sérvio (na verdade, por um jogo disputado) e da senhora na fila da minha frente, que chegou a rezar quando Janko preparava um smash. O amigo de Djokovic está eliminado pelo saldo de sets, Del Potro depende de si mesmo ("basta" vencer Federer) e Ferrer precisa ganhar e torcer para o suíço.

Chegamos exatamente na metade do torneio. É hora da calculadora e de ver quem está preparado para a semifinal.

Hoje conversei com o André Silva, diretor do torneio. Sim, ele é brasileiro. A entrevista está aqui.


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Diário do Finals, dia 3
às 20h13 por Sheila Vieira

A grande notícia do dia no ATP Finals foi a renovação do contrato com Londres para mais três temporadas. O comunicado oficial enfatizou bastante o grande público que a Arena O2 recebe desde 2009 e o patrocínio do banco Barclays. Isso talvez explique por que o Rio não conseguiu emplacar sua candidatura: a ATP ainda não tem uma prova concreta de que há um público para um torneio tão grande de tênis no Brasil, além da dependência que os eventos esportivos brasileiros têm de dinheiro público.

Após andar pela primeira vez por toda a arena O2, é difícil discordar da decisão da ATP. O local é basicamente um shopping: há cinema, todos os tipos de restaurantes (incluindo uma churrascaria brasileira), lojas, fan zone, um museu sobre a música pop britânica e quadras de treino abertas ao público. Sem falar que está ao lado do metrô. Temos algo parecido com isso?

Em quadra, Andy Murray e Novak Djokovic entregaram o que prometiam: uma partida repleta de reviravoltas, break-points, ralis e agilidade. Havia visto os dois jogando suas estreias nesta semana, mas a percepção é bem diferente quando um está enfrentando o outro. Aquela bola que está tão próxima do chão de repente encontra uma raquete nas mãos de alguém incrivelmente rápido ou flexível.

Murray começou o jogo mais agressivo e conseguiu a quebra logo no primeiro game. O momento mais tenso do britânico no set foi sacando em 4/3, quando saiu de um 30-30 com um ace. Nos nove primeiros games, Djokovic fez apenas dois winners.

O momento que virou a partida teve os jogadores fugindo de suas características.  Em 2/2 no segundo set, quando Djokovic fez um voleio de reflexo e chegou ao break-point. Murray então tentou um saque-voleio. Acertou o saque, mas errou o voleio. Djokovic administrou tranquilamente o set desse lance em diante.

No terceiro set, cada game de serviço era um martírio para Murray. Após ser quebrado no terceiro game, o britânico evitou uma segunda quebra num game de mais de 10 minutos. Com a ajuda da gritaria do público (e do rapaz da iluminação, que sempre deixava a luz mais forte nos pontos importantes vencidos por Murray), o número 3 fez três games seguidos.

Os juízes de linha, pouco inspirados nesta partida, quase evitaram a reação de Murray. O britânico só quebrou Djokovic ao pedir a revisão no desafio. Passou o 4/4, o 5/5 e o sérvio viu mais duas oportunidades: a primeira salva com um ace, a segunda aproveitada. Fim de jogo, certo? Errado. Murray chegou ao 15-40 quando Djokovic sacava para a partida. Desta vez, os dois breaks foram salvos e o número 1 prevaleceu.

Djokovic e Murray talvez tenha sido o 'confronto' da temporada, como Djokovic e Nadal em 2011. O estilo dos dois é tão parecido, que é difícil prever quem tentará algo diferente. Também deixa mais claras as diferenças emocionais dos tenistas. Para Murray, fica o consolo de ter sido o vencedor do jogo que mais valia entre todos os sete que fizeram neste ano.

A sessão da noite teve a primeira classificação às semifinais na chave de duplas, justamente dos convidados. Jonathan Marray e Frederik Nielsen, que só entraram no torneio porque venceram Wimbledon, derrotaram Bopanna e Bhupathi na estreia e garantiram vaga com a vitória sobre Daniel Nestor e Max Mirnyi.

Se Tsonga derrotasse Berdych, Djokovic estaria classificado também para a semifinal. Porém, o tcheco conseguiu seu primeiro triunfo em Londres. Como esperado, foi um jogo de potência, grandes saques, devoluções mais fracas e pontos rápidos. Berdych teve mais break-points durante toda a partida e também contou com uma notável queda de rendimento de Tsonga no terceiro set. Ninguém está matematicamente dentro ou fora no Grupo A, mas a probabilidade de Djokovic e Murray passarem é ainda maior com os jogos que restam.


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Diário do Finals - dia 2
às 20h36 por Sheila Vieira

O segundo dia do ATP Finals teve a primeira rodada do Grupo B no torneio de simples. Antes do jogo entre Roger Federer e Janko Tipsarevic começar, eu ouvia cantos fortes de uma torcida ao fundo, sem identificar o que estavam dizendo. Como era algo num ritmo de torcida organizada de futebol, presumi que se tratava se argentinos à espera de Juan Martin del Potro à noite.

Porém, quando entrei na arena para o jogo, percebi que a invasão era suíça. Ou, pelo menos, pessoas do mundo inteiro que se fantasiaram de Suíça. Encontrei na entrada um grupo de argentinos que carregava uma bandeira para o hexacampeão e outra para Del Potro. A entrada de Federer parece a de Michael Jackson num show. Gritos ensurdecedores, flashes em todas as cadeiras e pessoas com expressão de puro choque, como se não acreditassem que ele é real.

Após um set de muitos 'Go Roger' entre cada ponto, alguns ousados começaram a incentivar Tipsarevic, afinal, o jogo não estava muito disputado. O sérvio tentou, porém, como ele mesmo disse depois, não havia o que fazer contra o Federer de hoje. O suíço não conseguiu ficar muito tempo em quadra assiando autógrafos porque a ATP havia preparado um evento logo em seguida.

Novak Djokovic foi chamado à quadra para receber dois troféus: o de número 1 do mundo no final da temporada e o prêmio humanitário Arthur Ashe. Foi um curioso momento ouvir Jim Gimelstob dizer repetidas vezes 'o melhor jogador do mundo' para Djokovic, com todas aquelas bandeiras da suíça em volta. Porém, o discurso doce do sérvio arrancou aplausos sinceros do público.

A entrevista coletiva de Federer foi em grande parte uma sessão de nostalgia. O suíço lembrou (a pedido dos jornalistas) a campanha que fez no Finals de 2003 e a derrota para Juan Martin del Potro no torneio em 2009. Então veio a primeira pergunta engraçada: "Você tem uma boa memória no geral ou somente no tênis?". Resposta: "Não sei. Vocês precisam me testar (risos)".

A segunda foi assim: "Você tem uma ótima memória. Sabemos que você é ótimo na quadra de tênis e é muito articulado. Há algo que você não saiba fazer bem?". Resposta: "Não sei cozinhar. Não sei fazer várias coisas. Gostaria de ser assim. Não sei andar de skate. Adoraria isso. Há muitas coisas para eu tentar melhorar ou aprender do começo. Estou longe da perfeição".

Tenho duas coisas em comum com o Federer: também não sei cozinhar e andar de skate.

Todo esse poder de estrela de Federer teve uma espécie de antídoto em Jonathan Marray e Frederik Nielsen. A dupla que chocou o mundo do tênis ao vencer Wimbledon (e conseguir vaga no Finals por isso) derrotou Bhupathi e Bopanna na estreia e o dinamarquês deu uma declaração curiosa sobre o abismo entre as carreiras de alguns jogadores que dividem a mesma arena. "Estamos sentados numa entrevista após uma vitória na arena O2. Normalmente, eu estaria no vestiário em Loughborough pensando no que deu errado no meu jogo do quali de simples".

O segundo jogo de duplas do dia teve vitória de Leander Paes e Radek Stepanek. Ao salvarem um break-point no ponto decisivo, os dois fizeram uma espécie de dança do acasalamento. O tcheco e o indiano têm essa mania de comemorar com seus rostos excessivamente próximos e confesso que acho isso muito estranho e divertido ao mesmo tempo.

As únicas estreiam que restavam eram de David Ferrer e Juan Martin del Potro. Antes do jogo, o confronto direto entre os dois apontava 5 a 2 para o espanhol. Pode parecer estranho, pelo poder de ataque do argentino, mas a partida desta terça (como as outras entre eles) mostrou como Ferrer consegue manter o argentino em movimento.

Além de se defender de forma incrível, o trintão está constantemente mudando a direção da bola e forçando Del Potro a bater fora de posição. Foi o melhor jogo do torneio. Vamos ver se Djokovic e Murray podem superá-lo nesta quarta-feira.


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