A madrugada começou com um Andy Roddick x Nicolas Almagro sem muita disputa. Não assisti ao jogo, mas logo vi os comentários entusiasmados dos fãs do norte-americano nas redes sociais (na verdade, o @cacwhere e o @rbfilipe, mas tudo bem). Para quem deveria se aposentar, segundo o repórter chinês da semana passada, A-Rod poderia estar bem pior. Ele está quase voltando ao top 10, graças às quartas no US Open. Com o saque entrando, Roddick ainda tem um tempinho pela frente e mostra mais vigor que David Nalbandian e Lleyton Hewitt, seus companheiros de geração.

Minha primeira partida da rodada então foi David Ferrer e Juan Carlos Ferrero. Tinha tudo para ser mais uma zebra no dia, se o ex-número 1 não tivesse torcido o tornozelo no meio do segundo set. Ferrer se motivou, salvou três match-points no próprio saque jogando muito bem e "levou" o jogo quando empatou a partida. Não havia mais forças em Ferrero para lutar. Mesmo assim, que semana incrível do Mosquito. Ainda tem talento para ameaçar os top 10. Deus conserve. Já Ferrer está, obviamente, no ATP Finals (Masters de Londres, etc). Gostando ou não do estilo simples do espanhol, é admirável sua determinação em ter resultados melhores do que todos depois do Big 4.
Enquanto isso, Alexandr Dolgopolov jogava água no chopp de Bernard Tomic, coroando um grande ano do ucraniano. Mesmo com algumas derrotas estranhas, o Dolgo tem feito o que se espera dele na maioria dos torneios, às vezes se superando, como no Aberto da Austrália e no US Open. Com tanto auê para Tomic, Ryan Harrison e Donald Young, pouco se fala do jovem que mais tem mostrado seu valor em 2011: "The Dog".
Ao vencer Santiago Giraldo, Kei Nishikori garantiu sua entrada no top 40 e a condição de melhor japonês na história do ranking. O estranho é que sempre tive impressão de que Nishikori ocupava uma posição melhor. Quem sabe não rola um top 20 para o Japão no ano que vem? Bom, certamente rolará um top 100 para Matthew Ebden, maior surpresa do Masters com folga, que venceu o francês Gilles Simon num jogo cheio de reviravoltas e com um tiebreak de terceiro set disputadíssimo. A última vez que vi o australiano jogar foi em Queen's contra Rafael Nadal, confesso que não vi nada de mais (no tênis dele, digo).

Andy Murray e Stanislas Wawrinka tinham tudo para fazer o melhor jogo do dia, mas acabou sendo o que mais me deu sono. O britânico voltou a ser ele mesmo (tentando rasgar bolsos, gritando xingamentos aleatórios, só passando bola quando a coisa aperta) e o suíço, como de costume, deu a impressão de que iria deslanchar e... #fail: deixou Murray abrir 5/0 no terceiro, quebrou uma vez e perdeu o serviço depois. Um final adequado.
Então surgiu Florian Mayer. O alemão que as pessoas conhecem, mas não tão bem. Você já sabia que ele já esteve no top 20 (voltará semana que vem)? Que venceu seu primeiro título há poucas semanas em Bucareste? Que protagonizou esse vídeo hilário com Roger Federer e uma princesa Victoria? Pois é. Hoje vimos tudo que ele pode fazer com uma raquete na mão, com um estilo que uns chamam de 'estranho'. Bom, eu chamo de charmoso. Especialmente o saltinho para fazer a curtinha.
E Rafael Nadal? Minha opinião sobre a fase dele é bem simples: ele está voltando a ser humano.

Palpites que eu vou errar: Roddick, Nishikori, López e Murray.
Auto-merchan: eu estou fazendo um outro blog, sobre jornalismo, com uma amiga minha, a Marcela. Um dos posts é sobre a qualidade do jornalismo esportivo brasileiro. Dê uma olhada e veja os outros também.
Eu não acordei para ver, porque tinha certeza de que seria a mesma história de sempre. Andy Murray e Rafael Nadal começariam fazendo um jogo disputado, até que o britânico teria uma grande chance, desperdiçaria e sua cabeça viraria farofa depois.
Pero yo estaba equivocada, ¿no?

Vou procurar o jogo no YouTube ou baixar, mas todos os relatos que eu li disseram a mesma coisa: a performance de Murray no final do segundo set e em todo o terceiro (que durou 16 minutos e no qual Nadal fez só quatro pontos) foi uma das melhores da sua carreira. Com todas as coisas tenebrosas e sensacionais que vimos sair da raquete (ou da mente) de Murray, isso quer dizer muita coisa.
O número 3 está perto e pode vir em Xangai, caso Murray defenda o título. Não seria o melhor ranking da carreira do britânico (que foi número 2 por poucas semanas durante o pesadelo-2009 do Nadal), mas seria perfeito para simbolizar algo importante. Temos um QUARTETO. Não temos um Trio, 3 e meio, nada disso.
Ah, na hora dos Grand Slams, ele não mostra nada.
Okay, Novak Djokovic e Nadal levaram os títulos e fizeram três finais cada um. Mas e o Federer?
O suíço fez três semifinais, vencendo uma delas, e perdeu na decisão.
O britânico fez quatro semifinais, vencendo uma delas, e perdeu na decisão.
Ou seja, você pode até dizer que os Slams de Murray foram melhores que os de Federer. Mas seria um exagero. O peso da vitória sobre Djokovic em Roland Garros equilibra as coisas.
Em número de títulos gerais, Murray até agora tem quatro (Queen’s, Cincinnati, Bangcoc e Tóquio). Nadal tem três (Monte Carlo, Barcelona e Roland Garros), enquanto Federer tem um (Doha).
Isso não mudará em nada as chances de Murray pensando nos Slams de 2012. Enquanto ele não vencer o seu, sempre será o quarto favorito. É justo que seja. Até porque, o britânico é daqueles que gostam de mostrar o seu melhor quando ninguém está vendo. Definitivamente, esse não será o caso no Australian Open.
PS: dona Judy está muito feliz. Sua cria ficou também com título de duplas.

BREAKING NEWS! Tomas Berdych ainda existe! E ganhou um título!
Ninguém se importa.
A Safarova se importa!
Não, eles terminaram.
De qualquer forma, parabéns Tomas!

Você ainda é muito agradável de se olhar! 