Quatro dias em Melbourne
às
15h40
por
Sheila Vieira
*Continuando a série "relatos de espectadores", convido vocês ao texto de uma brasileira que assistiu aos quatro dias finais do Australian Open. Sim, ela viu o Fedal, o Nolandy e o Nadjoko ao vivo. Morram de inveja e descubram o poder da Rod Laver Arena. por Luciana Silveira Passava das duas da manhã. Na Austrália, já era segunda-feira. A iluminação da Rod Laver Arena estava sendo apagada e Novak Djokovic tentava terminar de dar autógrafos para poder voltar ao vestiário e comemorar seu terceiro título do Australian Open com sua equipe, família, namorada. Do outro lado do ginásio, eu virava para trás e olhava para a quadra azul pela última vez antes de cruzar uma das vinte portas de acesso do público, tentando me convencer de que era sim hora de ir embora. Conheci a RLA por apenas quatro dias, mas foi uma daquelas despedidas difíceis, que exigem esforço para não chorar sozinha naquela garoa de Melbourne.
Eu ainda tinha mais duas semanas na Austrália, mas o melhor momento da viagem já havia passado. Pode ser qualquer um dos 353 minutos daquela final, ou mesmo qualquer outro minuto dos três dias anteriores.
Eu poderia falar sobre Radek Stepanek mitando na final de duplas, sobre o momento em que você descobre que está torcendo para a Bethanie Mattek-Sands nas duplas mistas, sobre ter que sentar do lado de um fã hardcore da Maria Sharapova no dia em que você pintou a bandeira de Belarus na cara. Mas por algum motivo todos parecem mais curiosos sobre os três clássicos ATP -- os três jogos em que a RLA realmente lotou e a torcida realmente se envolveu. 
O Fedal foi o jogo da sessão noturna na quinta-feira. Eu estava acampada na RLA desde o primeiro jogo da sessão diurna -- uma semifinal de duplas masculinas --, mas o clima na arena mudou muito naquele momento. A torcida pareceu bem dividida. Algumas fileiras à minha frente, uma família chegou com um cartaz para o Nadal (era alguma coisa sem graça como “Rafa Rules” -- infelizmente, ele não dizia “Rafa, Rafa, assim você me mata”) e outro para Federer.
Eu cheguei bem indecisa, mas acabei torcendo mais para o Federer por irritação com as nadaletes já adultas na fileira da frente. Aliás, o Nadal faz um sucesso tremendo entre as senhoras da torcida. Uma inglesa com os cabelos brancos e sem ingresso para a RLA me disse que seu momento preferido das férias australianas havia sido assistir Nadal treinando sem camisa...
Mas vamos falar sobre uma senhora também de cabelos brancos, mas com ingresso para a RLA (naquela sessão: 200 dólares australianos). Pois essa distinta senhora chegou ao Federer x Nadal no meio do segundo set, cismou que eu estava sentada no lugar dela (a cadeira dela era a do lado da minha), assistiu três games... e saiu. Até aí, nada de anormal (descontando a parte em que ela pediu para ver o meu ingresso). Só que ela não voltou mais.
Lá pelo final do quarto e último set, um garoto torcedor do Federer senta no lugar vazio e explica: ele estava assistindo o jogo no telão, com Ground Pass (24 dólares australianos), e a tal senhora deu o ingresso da Rod Laver Arena para ele antes de simplesmente ir embora. O garoto pôde ver uns poucos games até o Federer perder, mas não pareceu muito desanimado quando dividia a arena com gaivotas, baratas (sim, elas existem) e a Mirka Federer
Na noite seguinte, meus companheiros de fileira eram mais animados que a senhora que esnobou o Fedal. Ao meu lado, um casal escocês gostou tanto da minha torcida pelo Andy Murray (sim, eu dou azar) que até me pagou um copo de Jacob’s Creek. (Uma semana depois, meu guia no Barossa Valley passaria com desdém pelos prédios da Jacob’s Creek, mas nenhum vinho fino poderia ser melhor que aquele vinho geladinho no calor da RLA enquanto Djokovic e Murray jogavam cinco sets.) 
A torcida dessa semifinal estava particularmente empolgada. A barraca de pintura de rosto (grátis) tinha uma longa fila de fãs querendo colocar na pele bandeiras nada discretas da Escócia ou da Sérvia. Um barulhento grupo de torcedores do Djokovic cantou e gritou durante os cinco sets, algumas filas atrás do box da Jelena Ristic.
As quase seis horas da final acabaram ofuscando essa semi, mas os cinco sets de Djokovic x Murray foram tensos. No quinto e imprevisível set, era difícil ficar sentada durante os games, e não só porque não existe muito espaço para as pernas na RLA. Torcer para o Andy provavelmente não me ajudou muito a relaxar -- culpo a @sheilokavieira. Culpei um pouco o Nole.
Perdoei o Djokovic dois dias depois, na final. Era o último dia de Australian Open em 2012, e o público corria para a lojinha, fazia fila nos estandes com brindes e aproveitava a última chance para tomar o drink que vinha na taça de plástico com uma luzinha na base. E quem tinha ingresso para a RLA se fundia à cadeira de plástico. 
À minha direita, o casal escocês se dividia: sem Andy na jogada, ele achava o Djokovic mais divertido, e ela achava o Nadal mais bonito (de novo: Rafa e as senhoras). À minha esquerda, um trio de amigos de Queensland estavam lá para torcer pelo Nadal. Foi o que um deles me explicou antes de sumir inúmeras vezes durante o jogo. As saídas e os retornos acontecem durante as trocas de lado na quadra. Enquanto os jogadores sentam, os torcedores se levantam. Do lado de fora dos portões da RLA, lanchonetes e banheiros ocupam toda a volta do ginásio. O problema é que é absolutamente impossível sair e voltar no mesmo intervalo.
Pois é. Para quem está no sofá da sala, cada intervalo é longo demais. Só a propaganda do Neymar já dura uma eternidade. Na RLA, o intervalo mal dá tempo de esticar as pernas. Sair para comprar um copo de Jacob’s Creek significa voltar apenas três games depois, e os games estavam longos demais para arriscar. Somente duas semanas depois é que eu percebi que fiquei as seis horas e tantos minutos (some ao tempo do jogo a cerimônia pré-final, o aquecimento e a premiação) controlando o consumo de água (garrafinha Evian que custou A$ 4,30 no primeiro dia e que eu abasteci incontáveis vezes em um dos bebedouros do Australian Open) e devorando duas barrinhas de cereal.
Já os supostos torcedores do Nadal passaram mais tempo fora da arena do que em suas cadeirinhas de plástico. Um deles me confessou que estavam vendo o jogo na TV instalada no corredor de fora. O ingresso para aquela final custava só uns 370 dólares australianos, e as criaturas estavam assistindo a maior parte do jogo em pé, olhando para uma televisão. Se eu tivesse contado uma coisa dessas para o torcedor espanhol que havia pintado “Rafa” e as cores da Espanha no rosto e nos braços só para assistir um treino do Nadal com Ground Pass...
É claro que dá para assistir muito bem um jogo pela televisão. Mas estar na Rod Laver Arena é muito mais do que assistir um jogo épico. Não é apenas ver o quanto os ballkids trabalham, ou acompanhar a troca de juízes de linha, ou reparar na movimentação de seguranças nos intervalos. Não é só baratas e gaivotas. Não é só ouvir o primeiro latido da Kvitova ou o barulho de um ace batendo na placa de publicidade no fundo da quadra. Não é nem o friozinho na barriga quando o juiz de cadeira diz “Ready? Play”. Com quase 15 mil pessoas mais envolvidas a cada ponto, a RLA é uma experiência que não cabe no sofá da sala de ninguém. 
(Sheila falando) Na próxima segunda-feira, eu volto a "escrever com minhas próprias palavras". Afinal, as garotas aprontaram um pouquinho nas últimas semanas...
Aventuras de Aliny - final
às
15h14
por
Sheila Vieira
*Ainda não leu as duas primeiras partes do relato de Aliny no Brasil Open? Veja então os posts abaixo. Por Aliny Calejon Sexta-feira: Como a maioria, nunca fui de simpatizar com o Almagro, que jogaria a primeira partida contra o Berlocq. Esse ódio sumiu em 5 minutos vendo o espanhol jogar ao vivo, tão de perto. Achei lindo o estilo de jogo e automaticamente virei fã. Passei o jogo inteiro gritando “VAMOS NICO!” e, numa dessas, ele percebeu e mandou um fist-pump. O negócio estava ficando sério. EU SEI QUE AÍ PINTOU UM CLIMA, NICO. Na partida de Mello/Feijão, sai para assistir a única partida das secundárias, de Farah/Cabal x Simon/Chardy. Consegui acompanhar os franceses sendo, infelizmente, eliminados. Numa dessas, Tulasne, o careca malvado, teve as manhas de me chutar enquanto descia a arquibancada. Além de não me dar um autógrafo, o cara me chuta! É mole? Com a chuva que caía, fiquei no local e, para a minha surpresa, a dupla (sim, Bruno e Booty) apareceu para treinar. Claro que assisti e, quando a chuva parou, parti para a central, onde presenciei a cena do público feliz, orgulhoso, cantante e algumas vezes irritante. Sim, é o Bellucci x Mayer, que encerrou o dia cheio de drama. 
Sábado: Concorre com terça-feira no quesito ‘aleatoriedade’. Esse foi o dia que mais lotou o ginásio. Cheguei a assistir Almagro x Ramos de pé, enquanto observava muitos fazendo o mesmo ou sentando nas escadas. O único que faltava para eu pegar autógrafo era justamente o Almagro. Após a partida, fiquei esperando-o nos portões, perdendo o começo de Bellucci x Volandri. Muitos minutos depois, Nico saiu da sala de imprensa, para minha felicidade. Corri e tietei. Ele continuou com minha caneta na mão, assinando para todos. Fiquei feliz por ter finalmente pego o autógrafo, mas lembrei da caneta quando ele estava indo embora. Pedi de volta e ele devolveu, com um sorriso no rosto e uma piscadinha. UMA PISCADINHA. Sim, fui seduzida por isso. Foi meu batizado de almagrete. Eu disse que tinha rolado um clima... Ô espanhol, larga a noiva aí, rapaz. Gritei um “AI QUE FOFOOOOO” como se fosse uma fã de Menudo e o Nico, que estava indo embora, olhou. Coisas que nunca imaginei que faria. Ah, o Brasil Open. Voltei para o jogo do Thomaz, que perdia o segundo set. O primeiro projeto de pessoa que xingou o Bellucci de amarelão na minha frente, mandei um sonoro “CHUPA, IDIOTA” no belíssimo ponto seguinte do brasileiro. Thomaz perdeu e o público que lotava o ginásio esvaziou em minutos, deixando injustamente os jogos de duplas com, no máximo, 200 gatos pingados. Eu estava de cadeira inferior e, como até a bancada dos jornalistas estava vazia, sentei lá ao lado da Sheila para ver Bruno/Booty x Farah/Cabal melhor, porque afinal eu sou uma stalker de duplistas profissional. Ali pude mostrar o quanto sou parcial, gritando “COME ON BOOTY” e “VAMOS BRUNO” em cada ponto da partida. Sou muito jornalista, me apavoro. No final de cada partida, os vencedores chutavam 4 bolas para a torcida. Na última bola, a bancada conseguiu chamar a atenção de Bruno Soares. Ele viu a gente. Ele me viu. Apontou e chutou a bola (bela mira hahaha) que foi parar na minha mão. A única não-jornalista ali acabou pegando a bola. A dignidade foi pro saco naquele momento, eu ri DEMAIS junto com o pessoal que estava por lá. Seguir os ídolos vale a pena, viu, gente?  O Alexandre Cossenza nos clicou por lá.
Foi a última e a maior fanfarronice da semana, que foi selada no domingo com a vitória da dupla-do-mineiro-e-do-americano-que-segui-demais-aliás-desculpa-vocês-dois-por-isso e do Nico-sedutor. Que venham mais fanfarronices no ano que vem. (Sheila escrevendo a partir de agora) Espero que vocês tenham gostado do relato da Aliny. É bom ter uma perspectiva de quem é fanático por tênis, mas também pode pedir autógrafos, tirar fotos e 'stalkear', enfim, aproveitar totalmente o torneio. Como prometido, em breve postarei o relato da Luciana Silveira, que acompanhou os últimos dias do Australian Open.
Aventuras de Aliny - parte 2
às
14h49
por
Sheila Vieira
*Se você não leu a primeira parte do relato da Aliny no Brasil Open, veja o post abaixo. Por Aliny Calejon Quarta-feira: Ah, as quadras secundárias. Fui direto nelas para acompanhar Kavcic x Chardy. Desértico. Cheguei e sentei justamente do lado do técnico do francês e passamos a partida inteira batendo palminha e gritando “ALLEZ JIM”. Minha empolgação era tanta que os poucos presentes acharam que eu fazia parte do staff do Chardy. (o que não seria nada mal. Fica a dica.) O próximo jogo foi de Gil/Junqueira x Mertinak/Sá. E contou com o público mais bacana, com presenças de Carlos Bernardes, a dupla-brasileiro-americana-que-segui-a-semana-inteira e Rogerinho. Na saída, Butorac me deu um oi. ÓBVIO que fiquei feliz pra caramba, do tipo “NOOOOSSA, SOU MÓ BROTHER DO CARA”. Acompanhei Simon e Chardy nas duplas e depois fui para a central ver Nalbandian x Paire. Benoit é um daqueles tenistas que peguei pra gostar desde que jogava challengers, então torci por ele, porque não nego minhas crias. Gritei por várias vezes ALLEZ BENOIT e pronto, virei a francesa retardada e suicida da quadra. Pena que resolvi ser francesa bem atrás de uma família argentina. Fui julgada por crianças argentinas de 4 anos, que me mandavam calar a boca e olhavam feio, enquanto gritavam VAMOS DAVID. Benoit perdeu e fui correndo para a porta dos jogadores, onde pedi sua munhequeira. Ele estava sem, então desejei boa sorte nas duplas e voltei para o ginásio para a partida de Bellucci contra Mello. A torcida claramente estava do lado do Ricardo. Não perdoei e BERREI pelo Bellucci. Aí virei a idiota nascida em Tietê. Uma Robin Hood das quadras.  Benoit Paire tem uma grande fã no Brasil.
Quinta-feira: Vários jogos interessantes estavam rolando na central, mas fui atraída mais uma vez pelas secundárias. O primeiro jogo da quadra 1 foi de Volandri x Hidalgo, também conhecido como ‘o pior jogo que já acompanhei na minha vida’. 3 sets de puro tédio, onde tinha mais seguranças do que público (contando como público uma pomba que pousou por lá e não ficou nem por 2 minutos, tamanha a agitação). Sentei atrás do ‘box’ do Volandri, que contava com seu treinador, mulher e o aparentemente preparador físico do italiano. No auge do tédio, comecei a prestar atenção na mulher do Volandri e percebi que ela estava claramente dando mole para o preparador físico. Mentalmente cantei “Ô Volandri, como é que é, teu preparador tá pegando sua mulher” #fofocas. Verdasco, a-dupla-brasileiro-americana-mais-legal e Feijão treinaram na outra quadra. Algumas horas depois na quadra 2 rolou Bruno/Booty x Thomaz/Girafa. Sentei atrás do ‘box’ da dupla-mais-legal-da-tour, no qual Márcio Torres, treinador de Bruno Soares, me reconheceu e mandou um sorriso. Foi aí que percebi que estava seguindo demais os caras. No final desta partida, todos foram para a central, restando apenas público para as partidas de Mertinak/Sá e Mello/Feijão na quadra 1. Fiquei REALMENTE sozinha no Farah/Cabal x Giraldo/Paire, coisa de não ter nem os técnicos dos caras. Torci bastante pelo francês e no final, quando saía da quadra, pedi por sua munhequeira mais uma vez. Ele prontamente disse sim e arremessou em minhas mãos. (munhequeira que permaneceu molhada o dia inteiro na minha bolsa, molhando tudo. #facepalm) Saí feliz do local e, enquanto andava para a principal, Benoit apareceu mais uma vez, procurando por um carrinho de jogadores. Ele achou, tirou o motorista do carrinho e foi dirigindo o mais rápido que pode, quase me atropelando, enquanto buzinava e gritava “VAMOOOOS!”. Ele fechou meu dia de fanfarronices genialmente. 
Na quarta-feira, o último capítulo do relato, com direito a piscadinha do campeão...
Aventuras de Aliny, parte 1
às
18h12
por
Sheila Vieira
*Como estamos no clima do Brasil Open, vou deixar o relato do Australian Open para depois. O texto deste post é de uma garota de 17 anos com quem eu converso no Twitter há algum tempo, conheci no torneio e testemunhei algumas das suas aventuras. Por isso, pedi que ela contasse com detalhes. O relato está dividido em algumas partes. Divirtam-se! Por Aliny Calejon Minha aventura no Brasil Open foi muito além dos jogos. Segunda-feira - público fraco na central. Muitos ALLEZ depois e um jogo morníssimo de Chardy e Bagnis, fui dar uma volta pelo ginásio. Passei por muitos tenistas juvenis, mas foi no portão 6 que em alto e bom som ignorei um deles e gritei ‘AH, O MELLO!’. Decepcionei um juvenil logo de cara. (aí depois perguntam o porquê do tênis brasileiro não ir para frente, olha o que eu fiz com o coitado). Nessa brincadeira, também consegui autógrafos e fotos de Nalbandian, Bellucci, Melo e Sá em poucos minutos. Em uma dessas voltas, descobri minha segunda casa da semana: as quadras 1 e 2. Chegando lá, vejo que Benoit Paire estava treinando. Esperei o treino terminar e, quando ele saia da quadra, gritei “HEY, BENOIT!”. Ele olhou estranho, provavelmente pensando porque diabos alguém sabia quem era ele logo no primeiro dia do rapaz na cidade. Joguei algumas bolas para ele assinar, já que as quadras ficavam isoladas e a arquibancada bem acima. Após umas cinco tentativas, Benoit conseguiu retornar as bolas para cima, rindo muito da situação. Já posso dizer que brinquei de bola com o francês. Já tinha visto o Nalbandian, mas a queridíssima @marilia_nunes havia feito um pedido semanas antes do torneio: que alguém fizesse um cartaz pedindo para que o argentino casasse com ela. Pediu, atendi. No meio do alvoroço, Nalba leu e tirou uma foto com o cartaz. 
Tudo estava muito bom e muito bem, mas como uma boa amante de duplas e especialmente fã dos dois, ainda estava me faltando o Bruno Soares e o Eric Butorac. Achei que nunca os encontraria, mas o resto da semana mostrou que eu me enganei FEIO. Os dois estavam indo para as secundárias de carrinho, quando sai correndo atrás gritando “BRUNO, BRUNO! SOARES, SOARES! BRUNO SOARES!”. Assustado e bem humorado, o mineiro respondeu: “Qual dos três você quer?”. Eu e minha incrível habilidade de assustar as pessoas na primeira frase. Consegui os tão sonhados autógrafos e fotos com Bruno e Booty, além de poder acompanhá-los jogando na central logo no primeiro dia. Achei que os outros dias não poderiam melhorar, mas mal sabia da minha terça-feira... Terça-Feira: De longe o dia mais aleatório da semana. Em uma das ações dos patrocinadores, a Gillette promoveu um concurso de frases pelo Twitter em que o ganhador teria uma clínica de tênis em uma das quadras. E não é que ganhei? Cheguei cedinho no ginásio pensando que seria apenas uma aula básica com pessoas aleatórias ensinando. NOVIDADE: me enganei mais uma vez. Lá estava eu sentada no banco dos jogadores, a vida não fazia sentido, o calor estava aumentando, quando a porta do local abriu. Uma luz surgiu. Sim, eram eles, BRUNO SOARES E ERIC BUTORAC. De cara comentei “O BRUNO, O BOOTY!” e pensei “Não, não pode ser. Eles estão aqui de passagem, certeza.” Nada, a clínica foi com eles. Realizei o sonho de bater uma bola com os caras, que é uma daquelas coisas que você não imagina que nunca irá acontecer. Dicas aqui e ali, sentei para uma pausa ao lado do Eric, que gentilmente ofereceu um copo de água e me contou sobre os torneios que eles jogariam (fica aqui meu apelo para o Eric fazer um twitter). Também conversei com o Bruno sobre Australian Open, duplas mistas e Jarmila Gajdosova. Tive um dia de tenista por lá, com direito a carona no tal carrinho de transporte de jogadores e toalhas do torneio. Descendo do carrinho, Hanescu e Paire estavam esperando justamente por ele e pude, finalmente, encher o saco e tietar o romeno. Sim, os romenos são os melhores (VAMOS TECAU!). Após toda essa aventura, fui parar no Círculo Militar com a senhora Sheila Vieira e a informação de que Gilles Simon estaria treinando por lá. E realmente estava, além de Verdasco. Esperei e peguei tudo o que tive de direito dos dois. Enquanto isso, Cabal e Farah apareceram e ficaram esperando pelo fim do treino de Sá e Mello. Vi o Farah e pensei “que homem lindo”, enquanto encarava e secava o rapaz no maior estilo “pedreiro de cima da obra gritando “Ô DILIÇA” pra cada pessoa que passa”. Na mania de twittar tudo o que acontece, fui contar aos meus seguidores que O FARAH É UM LINDO (para caso alguém não percebeu ainda, O FARAH É LINDO). O problema foi que esqueci que, tanto ele quanto Cabal, estavam se alongando logo atrás de mim, no encosto de meu banco. Eles leram. Constrangi o rapaz. Climão maneiro. Mas isso tudo não chegou aos pés do ponto alto do local: André Sá mostrou todo seu gingado para Ricardo Mello, roubando a atenção dos poucos presentes. 
Na volta para o ginásio, vi Thierry Tulasne, o técnico de Gilles Simon. Sempre gostei do estilo de treino dele e fui seca pedir um autógrafo. Só que eu não contava que o francês ignoraria e passaria reto, me deixando no vácuo. Terminei o dia chateada com o careca. Amanhã tem a segunda parte das aventuras da Aliny no Brasil Open.
A alma do Brasil Open
às
22h17
por
Sheila Vieira
Não tive o prazer de conhecer a Costa do Sauípe. Certamente, é um lugar muito bonito e deve receber torneios importantes de tênis no futuro. Mas o que essa semana provou é que o evento mais importante da modalidade no país precisa de um palco que tenha, além de uma bela vista, uma alma. O público de São Paulo no Brasil Open refletiu muito do que vemos na cidade todos os dias: muita gente aglomerada, entusiasmada, disposta a consumir, às vezes mal educada, mas sempre com muita vida. A capital paulista é imperfeita, conflituosa, com muitos caminhos e confusão. E para mim, isso combina perfeitamente com qualquer esporte. Os paulistanos querem um lazer num feriado que não seja encarar 200 km de congestionamento na Imigrantes, ver os filmes que se repetem no cinema ou gastar 1/3 do salário num bar ou restaurante. Um esporte como o tênis, que tem um ambiente seguro e é disputado em alto nível, é perfeito para esse público. Sem falar nos que viajaram de várias cidades só para o torneio. Encontrei com muitos deles. Gente que ficou até as 0h30 no Ibirapuera porque sabia o valor de ver um David Nalbandian jogar, as meninas que deram voltas e voltas no ginásio querendo um autógrafo de Fernando Verdasco, o rapaz que falava euforicamente ao celular "o González está do meu lado! O Fernando González!!!", o pai que me dizia como o filho de 12 anos sabe tudo sobre tênis e quer fazer um blog... 
Poderia gastar 50 parágrafos só contando as demonstrações de devoção dos espectadores que testemunhei nos últimos sete dias. Por isso, acredito que a aposta da organização de investir em vários ex-top 10 carismáticos ao invés de trazer apenas um David Ferrer, por exemplo, foi certa. Não fiz parte do grupo dos tietes, afinal, estava trabalhando a maior parte do tempo. Os jornalistas só começam a ver jogos para valer a partir das quartas de final. Nos primeiros dias, ficamos mais buscando informações, monitorando notícias, esperando respostas dos nossos pedidos de entrevistas, aguardando as coletivas e comendo lanchinhos para esquecer que não almoçamos há dias. Meu momento preferido da semana foi a conversa com Gilles Simon, publicada no site na quarta-feira. Sempre tive curiosidade de saber a posição dos tenistas franceses na polêmica com o doping e pude ouvir coisas interessantes de Simon. Vi também que muitos fãs estrangeiros do Rafael Nadal descobriram a notícia e repercutiram. Há coisas negativas? Sim. A segurança foi extremamente mal-educada com o público e com os jornalistas diversas vezes; as opções de alimentação e transporte em volta são precárias; e ainda é necessário que as pessoas aprendam a não atrapalhar os tenistas com flash nas câmeras e movimentação durante os games. Porém, mesmo não sendo perfeito, o Brasil Open 2012 teve alma. Como todo grande evento esportivo deve ter. Continuando no embalo "torcida", nesta semana vou postar o relato da Luciana Silveira, que acompanhou os últimos dias do Australian Open na Rod Laver Arena.

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