Diário de Roland Garros, dia 7
às
17h50
por
Sheila Vieira
O sábado foi o último dia da terceira rodada, ou seja, de partidas que podem ter jogadores não tão famosos lutando em quadras secundárias e ganhando/perdendo com muito drama. Além de vitórias fáceis e surpresas que chegaram às oitavas, tivemos um daqueles jogos "traumáticos": o triunfo de Kaia Kanepi sobre Caroline Wozniacki.
Primeiro, vamos saudar os mineiros Marcelo Melo e Bruno Soares, que venceram suas partidas. O Girafa já está nas quartas de final e o Bruno ainda joga a segunda rodada. Infelizmente, ele perdeu na primeira rodada das mistas com Jarka Gajdosova. Eles tiveram um match-point, mas não aproveitaram. De qualquer maneira, Bruno pode agora se concentrar na chave que realmente importa.
Petra Kvitova perdeu um set, mas avançou às oitavas, assim como Na Li. A chinesa e a tcheca têm tudo para um encontro nas quartas de final, já que são muito favoritas contra Varvara Lepchenko e Yaroslava Shvedova, respectivamente. A norte-americana teve uma partida repleta de erros contra Francesca Schiavone, mas contou com a impaciência da italiana para fazer o melhor resultado da carreira.
David Ferrer era favorito contra Mikhail Youzhny, mas foi realmente patética a apresentação do russo. Não estou exagerando, já que ele mesmo escreveu "sorri" (sic) no saibro e reconheceu que não jogou nada. Daviiiiid enfrenta Marcel Granollers, que venceu os dois primeiros sets contra o herói Paul-Henri Mathieu. O francês buscou forças para levar ao quinto (de novo!), mas Granollers arrasou.
FAIL
Eu não vi a partida, mas li muitos relatos dizendo que Granollers gritou mais alto do que todas as mulheres da WTA, um som que claramente buscava irritar Mathieu e caracterizava a tal "hindrance". O público vaiou bastante o espanhol, que já havia brigado com João Sousa (o português) na primeira rodada. Imagino que Ferrer baixe um pouco a bola do rapaz.
Maria Sharapova ainda não teve o mínimo que se possa chamar de susto e tem agora um tapete vermelho até as quartas. Em tese. A russa tem nas oitavas Klara Zakopalova, que tirou Maria Kirilenko e Anastasia Pavlyuchenkova. Creio que a série de vitórias da tcheca contra russas vai acabar.
Andy Murray fez um primeiro set brilhante contra Santiago Giraldo: primeiros serviços implacáveis, backhands fortíssimos e contra-ataques fantásticos com o forehand. No entanto, como sempre, Murray relaxou em seguida. Mesmo assim, o britânico não foi ameaçado.
Mas a caminhada tranquila de Murray com certeza acabou hoje. Richard Gasquet fez uma partida assustadora de tão boa contra Tommy Haas. Somando isso ao retrospecto entre os dois e as condições físicas do britânico, creio que Gasquet é favorito. Mas sabemos como ele costuma sentir pressão quando todos estão assistindo. Vamos acompanhar.
Janko Tipsarevic não deixou a torcida entrar no jogo com Julien Benneteau e venceu em três sets. Ele fará um duelo certamente nervoso com Nicolas Almagro, que vai avançando nas quadras secundárias.
Juan Monaco será o próximo oponente para os treinos de Rafael Nadal em Paris. O argentino não foi quebrado nenhuma vez na partida contra Milos Raonic, mas precisou do quinto set. O canadense certamente seria um teste diferente para Nadal, já que Monaco tentará vencer o espanhol do fundo, ou seja, falhará.
Chegamos então ao jogo TERAPIA do dia: Kaia Kanepi x Caroline Wozniacki.
A estoniana é talentosa, agressiva, saca bem. Ou seja, tem jogo para incomodar Wozniacki se cometesse poucos erros. Foi o que aconteceu no primeiro set, no qual o jogo da dinamarquesa não foi suficiente. Nem perto disso.
Mas o problema principal de Wozniacki nesse jogo não foi seu jogo. A Miss Sunshine perdeu a linha em vários momentos do jogo. O primeiro deles, no começo do segundo set, quando parou um break-point contra sinalizando bola fora. O árbitro de cadeira desceu, confirmou bola dentro e deu o game a Kanepi. Ao invés de sentar e pensar no próximo game, Wozniacki passou minutos gritando e até dizendo que o juiz não tinha estudado, depois chamou a supervisora e armou um barraco que deixaria Andy Roddick com "vergonha alheia".
Obviamente, Wozniacki se perdeu totalmente na partida e viu Kanepi fazer 5/1. Ou seja, fim de jogo, certo? Não. Kanepi deu sua primeira "pipocada" e perdeu o serviço. Haveria mais uma chance. 5/3, match-points. Não foi dessa vez. 5/5. Wozniacki foi quebrada de novo. Não satisfeita, Kanepi...
Tiebreak. Wozniacki dominou, com o momento ao seu lado, e forçou o terceiro set.
Esse é o momento em que, no passado, Wozniacki liquidaria a partida. Mas a dinamarquesa ainda estava jogando tão mal (elas fizeram inúmeros ralis de balões, foi algo ridículo), que Kanepi abriu 5/1 de novo (sim, eu estou repetindo palavras, mas isso representa bem a partida). Agora iria não é?
Não. Kanepi quebrada.
A quinta e última chance veio em 5/3. Wozniacki teve break-points, mas não converteu. Com uma bola fora, bem perto da marcação que tirou a dinamarquesa do sério no segundo set, Kanepi finalmente venceu. Para fechar com chave de "ouro", a estoniana desenhou um coração na quadra.
Sim, ela imitou o Guga. Ele nunca precisou de cinco games de serviço para fechar uma partida, Kaia.
Palpites oitavas, parte de baixo:
David Ferrer x Granollers: o guerreiro em três sets Richard Gasquet x Andy Murray: o francês vence, mas em cinco sets Janko Tipsarevic x Nicolas Almagro: cara de cinco sets, o sérvio vai se irritar em algum momento e o espanhol tirará proveito disso Rafael Nadal x Juan Monaco: amigo é para essas coisas.
Kaia Kanepi x Arantxa Rus: cansei de apostar contra a holandesa. Mas vou de novo. Kanepi nas quartas. Na Li x Yaroslava Shvedova: Slava é uma graça, mas Li está jogando muito tênis Varvara Lepchenko x Petra Kvitova: basta o cérebro da tcheca comparecer Maria Sharapova x Klara Zakopalova: qualquer hora a Maria dorme em quadra de tanto tédio
Diário de Roland Garros, dias 5 e 6
às
17h44
por
Sheila Vieira
Sim, eu não escrevi ontem. Mas aqui estão minhas impressões sobre o dia 5:
- Andy Murray começou sua partida às 6h da manhã no horário do Brasil. Nos primeiros games, já mostrava estar com certa dificuldade de ficar em pé. O tempo foi passando e o britânico já não saltava na hora de sacar, servia a 100 km/h e não corria para bolas alcançáveis. Veio o fisioterapeuta e fez o tratamento. O clima era de velório na Chatrier: pessoas aplaudindo Murray, tentando impedir um abandono, Nieminen disparando winners, 6/1.
No final do set, Nieminen encarou Murray, como se esperasse um aperto de mão. Mas o britânico sentou em seu banco, desobedecendo o conselho da sua equipe. Nada mudou no jogo a princípio, mas era possível notar que Murray estava recuperando seus movimentos. O finlandês começou a ficar nervoso, errar e a partida virou. O número 4 atacou para terminar os pontos de forma rápida e mostrou todo o arsenal que raramente coloca em prática, infelizmente.
Sempre haverá quem insinue fingimento dos jogadores que sentem lesões. É fácil falar do sofá. E quem falou isso foi quem não assistiu ao primeiro set. Obviamente, não faria sentido nenhum para Murray começar uma partida já fazendo uma cena contra um Nieminen. Qual seria o benefício? Passar mais tempo em quadra? Tirar com a cara do adversário? Deixar o oponente ganhar um set e ter 4/2 no segundo como diversão? Pois é, não faz sentido nenhum.
Mas como dizem na internet: haters gonna hate.
Essa frase se aplica também a John Isner, que perdeu em 18/16 no quinto set contra Paul-Henri Mathieu. O norte-americano não vinha jogando bem há algumas semanas e sempre é vulnerável quando não é o favorito. E por que Isner sempre se vê nessas maratonas? O saque?
Então, por qual motivo o Karlovic não está numa maratona toda hora ou qualquer outro sacador? Porque John Isner é um guerreiro e quando você espera que ele fraqueje, ele mete um ace. Ontem, não foi suficiente contra um Mathieu inspirado. O francês é um exemplo de como sempre há uma chance de voltar e fazer algo relevante.
Vamos então ao dia 6?
Gostaria de começar com esse vídeo: Fabio Fognini vê Rafael Nadal passando no vestiário e sua toalha acidentalmente cai. De nada, meninas.
Fognini perdeu para Tsonga, numa partida em que o italiano tentou inventar um drama para desconcentrar o francês, mas não conseguiu. Tomas Berdych teve muito mais trabalho do que deveria contra Kevin Anderson, o que deixa a partida contra Juan Martin del Potro mais interessante. A “zebra” de Cilic na qual eu apostei não aconteceu.
Marcel Granollers salvou três match-points contra o tunisiano Malek Jaziri (sim, aquele que perdeu convite em Dubai para Marko Djokovic) e terminou o jogo interrompido ontem. Andreas Seppi derrotou Fernando Verdasco em cinco sets, justamente quando eu imaginava que o espanhol faria jus ao seu nome.
Mundo, David Goffin. David Goffin, mundo.
David Goffin é um daqueles aleatórios que sempre aparecem nas oitavas de Slam. O belga perdeu no quali, entrou como lucky-loser, pegou uma chave fácil e enfrentará o seu ídolo Roger Federer. O suíço ainda não impressionou em Roland Garros e perdeu um set para Nicolas Mahut por pura desatenção. O rompimento do suíço a agência que o representava pode ter a ver com essa desconcentração.
Gilles Simon e Stanislas Wawrinka confirmaram aquilo que todos esperávamos: cinco sets, belas e péssimas jogadas, viradas, pipocadas em momentos decisivos. Porém, o suíço jogou melhor em toda a partida e pareceu bem mais equilibrado emocionalmente do que Simon, que já veio de um drama contra Brian Baker.
Novak Djokovic entrou em quadra bem tarde e fez de tudo para aplicar um “triciclo” em Nicolas Devilder (who?). Ele perdeu cinco games, mas conseguiu terminar a partida ainda na sexta.
Victoria Azarenka e Angelique Kerber também lutaram contra a “falta de iluminação natural” e derrotaram Aleksandra Wozniak e Flavia Pennetta, respectivamente. O dia havia começado com a derrota de Ana Ivanovic (minha aposta para a semi) para Sara Errani, o passeio de Maria Sharapova contra Ayumi Morita e a absoluta surra de Svetlana Kuznetsova para cima de Agnieszka Radwanska. Ainda acho Sveta uma das tenistas mais talentosas do circuito e é uma pena que ela não faça o que sabe todo o tempo.
Samantha Stosur avançou de forma tranquila contra Nadia Petrova e enfrenta a norte-americana Sloane Stephens, uma garota muito inteligente e bem-humorada. A australiana parece certa nas quartas de final. Serena Williams sofreu mais uma derrota na estreia, desta vez nas duplas mistas com Bob Bryan. Eles perderam para Gisela Dulko e Eduardo Schwank no match tiebreak. Não está fácil para ninguém.
Finalmente, a sexta foi um dia bom para o Brasil. Os mineiros Bruno Soares e Marcelo Melo venceram suas partidas e voltam à quadra no sábado. Bruno também estreia na chave de mistas com a sempre carismática Jarka Gajdosova.
Palpites para a rodada de sábado: Kvitova x Bratchikova: a tcheca não vai deixar outro apocalipse acontecer em Paris. Tipsarevic x Benneteau: tem potencial para cinco sets. Mas aposto no sérvio. Sharapova x Peng: mais uma oportunidade de admirar o vestido da Maria (é muito lindo!) Nadal x Schwank: horas de discussão sobre a cor da camisa do hexacampeão Ferrer x Youzhny: o russo pode tirar um set, mas deve ser tranquilo para Daviiiiid Li x McHale: atual campeã em dois sets Gasquet x Haas: potencial para cinco sets também. Quem decidirá tudo será o cérebro do francês. Wozniacki x Kanepi: a estoniana tem jogo, mas a dinamarquesa vai vencer Schiavone x Lepchenko: a italiana passa Murray x Giraldo + costas: um dia bom do colombiano pode eliminar o britânico sim Granollers x Mathieu: difícil apostar no francês pelo físico. Mas torcerei por ele. Goerges x Rus: a holandesa tem chance se a alemã errar mais do que o normal. Pavlyuchenkova x Zakopalova: espero equilíbrio. Raonic x Monaco: potencial de cinco sets e nenhuma ideia do vencedor.
Diário de Roland Garros, dia 4
às
16h36
por
Sheila Vieira
O dia em que os americanos voltaram à realidade e os franceses roubaram a atenção, para o bem ou mal. Blaz Kavcic jogou bem, mas não o suficiente para incomodar Novak Djokovic; Roger Federer perdeu um set de bobeira para Adrian Ungur, mas não ficou muito mais tempo em quadra do que deveria. Victoria Azarenka voltou a ser confiável nas rodadas iniciais e Agnieszka Radwanska não teve nenhuma dificuldade contra uma cambaleante Venus Williams.
O jogo do dia foi entre Gilles Simon e Brian Baker. A partida foi muito disputada nos dois primeiros sets e o francês construiu uma boa vantagem com seu jogo feijão com arroz. Porém, Baker não se intimidou e levou o terceiro set. O Highlander do tênis aprontaria mais uma?
Quando o jogo foi para o quinto set, a virada era o que todos esperavam ao ver um Simon nervoso e uma plateia impaciente. Mas Baker não manteve o embalo e tomou um “pneu” errando bolas fáceis, enquanto Simon simplesmente empurrava bolas. Não acho que Simon seja só isso, mas, na hora do aperto, alguns jogadores encarnam a versão mais chata e eficiente de si mesmos. O francês é um deles.
BREAKING: ele tem músculos.
No feminino, a grande derrota do dia foi de Marion Bartoli, provavelmente a top 10 que entrou mais vulnerável em Roland Garros. O único resultado expressivo da carreira da francesa no saibro foi justamente em Paris no ano passado. Mas ela não conseguiu repetir o feito e perdeu para a croata Petra Martic.
Como a rodada não teve muita emoção (Tsonga ensaiava um drama contra Cedrik-Marcel Stebe, mas a chuva interrompeu), vamos dar uma olhada nos confrontos de terceira rodada já definidos:
Victoria Azarenka x Aleksandra Wozniak: a canadense fez alguns bons jogos neste ano, mas a bielorrussa está alerta após o susto da estreia. Dominika Cibulkova x Maria José Martinez Sánchez: a eslovaca está louca para encontrar Vika novamente. Sloane Stephens x Mathilde Johansson: aposto na norte-americana, mas um jogo arrastado colocaria a tenista da casa em vantagem. Samantha Stosur x Nadia Petrova: difícil prever. Pode ser tanto um jogo fácil para Sam, quanto uma “zebra”. Pessoalmente, confio, por enquanto, na australiana. Agnieszka Radwanska x Svetlana Kuznetsova: o retrospecto diz 9x3 para Sveta, com cinco vitórias nos últimos jogos. O momento é outro, mas tem cara de maratona. Ana Ivanovic x Sara Errani: sou mais a sérvia, pelo jogo controladamente agressivo que vem mostrando e o mau desempenho da italiana contra tenistas de ponta. Flavia Pennetta x Angelique Kerber ou Olga Govortsova: se a alemã passar, é favorita. Anabel Medina Garrigues x Petra Martic: a croata já deve estar satisfeita com a campanha. Aposto em AMG.
Roger's buchinho.
Novak Djokovic x Nicolas Devilder: a não ser que baixe a Serena no sérvio, passeio. Fernando Verdasco x Andreas Seppi: o espanhol é mais tenista, mas se complica sozinho e pode perder sets. Gilles Simon x Stanislas Wawrinka: muito equilíbrio. Viktor Troicki/Fabio Fognini x Jo-Wilfried Tsonga/Cedrik-Marcel Stebe: o francês deve sair desse quarteto, mas não deve sobreviver muito depois. Roger Federer x Nicolas Mahut: o público francês amará esse jogo, com certeza, mesmo com um estrangeiro vencendo. Lukasz Kubot x Arnauld Clement ou David Goffin: o belga está com 5/1 no quinto set, então ele deve pegar o polonês. Continuarei não fazendo a menor ideia. Juan Martin del Potro x Marin Cilic: cheiro de animal listrado... Tomas Berdych x Kevin Anderson: mais uma fácil para o loirão bonito (desculpe, Kevin).
Diário de Roland Garros, dia 3
às
18h14
por
Sheila Vieira
Confesso que ainda estou com um pouco de dor de cabeça. É difícil lembrar de algo que tenha acontecido além da vitória histórica de Virginie Razzano contra Serena Williams. Mas a lista de resultados vai ajudando a memória. Comecemos com o resto:
Francesca Schiavone e Petra Kvitova não tiveram problemas em suas estreias, Janko Tipsarevic perdeu o primeiro set para Sam Querrey, mas conseguiu virar. Maria Sharapova entrou em quadra com um belo vestido preto e cinza e viu Alexandra Cadantu, sua oponente, usando o Sharapova Collection do AUSTRALIAN OPEN! Resultado: bicicleta.
David Ferrer, como de costume, cumpriu seu papel contra Lukas Lacko. Dmitry Tursunov, Denis Istomin e Robin Haase fugiram do drama. Como esperado, Grigor Dimitrov venceu o duelo “fomos promessas” contra Donald Young. Outros homens a vencerem em três sets foram Nicolás Almagro, Eduardo Schwank, Florian Mayer, Marcos Baghdatis, Mikhail Youzhny, Richard Gasquet...
Ah, é o Nadal. O espanhol fez um jogo tão morno contra Simone Bolelli, que o principal atrativo foi a camisa rosa (ou, como disse a Nike, “Scarlet Fire”). Rafa foi perguntado sobre a cor, que lembra a vestimenta na qual ele perdeu para Robin Soderling. Ele respondeu que não se importava com isso. Justo.
SCARLET FIRE!
Andy Murray fechou a Suzanne Lenglen vencendo Tatsuma Ito ao estilo Wozniacki: se seu adversário está atacando, defenda-se, dê ‘balão’ quando necessário e espere que ele comece a errar. Ito acertou durante a maioria do segundo set, mas não conseguiu derrubar a solidez do britânico.
Na turma dos cinco sets, Sergiy Stakhovsky surpreendeu o compatriota Alexandr Dolgopolov e Jeremy Chardy fez 11/9 contra Yen-hsun Lu.
Então veio O JOGO. O mais empolgante da WTA desde o confronto entre Francesca Schiavone e Svetlana Kuznetsova no Australian Open do ano passado.
Serena deixou claro desde o primeiro game que não estava em seu melhor dia. Mas tudo bem, afinal, Victoria Azarenka também não estava contra Alberta Brianti. Era uma questão de tempo até ela se encontrar ou mesmo ganhar o jogo na raça.
Razzano não fugiu desse script no primeiro set: fez uma dupla-falta no set-point de Serena. Enquanto o segundo set se arrastava e a francesa jogava cada vez melhor, Caroline Wozniacki estreou na quadra 1 perdendo apenas um game. Serena precisaria selar a vitória no tiebreak. Sem problemas, ela abriu 5/1.
E tudo mudou. Um forehand errado aqui, uma passada de Razzano ali e Serena perdeu seis pontos seguidos. Ela sentou em seu banco e segurou (sem tanto sucesso) as lágrimas. Razzano se encheu de confiança e quebrou uma vez, depois outra. Agora era inevitável: Serena perderia sua primeira estreia de Grand Slam.
Com muita fibra, Serena evitou o “pneu” e fez 1/5. Razzano teria sua primeira chance em seguida. Falhou. Restava apenas uma quebra para Serena voltar à partida. A expectativa já era outra: será que a norte-americana conseguiria uma virada dentro de outra virada? Razzano teve a segunda chance e demorou 23 minutos para confirmar.
Ao invés de relatar os últimos minutos, deixo o vídeo para quem quiser assistir. Foram quatro break-points salvos, sete match-points perdidos e muito drama.
Razzano venceu e, ao ver seu sorriso, era impossível não lembrar do ano passado, quando a francesa jogou Roland Garros dias depois da morte de seu noivo e treinador. Esse foi apenas mais um dia de um Grand Slam, mas, para ela, foi um renascimento. O esporte deu a ela a chance de ser feliz novamente.
Diário de Roland Garros, dia 2
às
17h26
por
Sheila Vieira
É... hoje teve bastante drama! Vamos em ordem cronológica:
Victoria Azarenka deu “bom dia” para o mundo levando 7/6 e 4/0 de Alberta Brianti. Por mais que o jogo seja diferente e possa ter surpreendido a número 1, Azarenka parecia já fazer as malas no hotel, principalmente quando cedeu break-point em 0/4. Porém, ela contou com uma senhora ‘pipocada’ de Brianti e ganhou força suficiente para fazer seis games seguidos e prevalecer no terceiro set.
Isso significa que Azarenka já não é mais candidata à final ou ao título? Não. Na verdade, com uma chave tão fácil, foi bom a bielorrussa ficar esperta logo de cara e não chegar totalmente fria a uma semifinal. Mas, se Vika não melhorar...
Enquanto Azarenka virava o jogo, Roger Federer tomou a Suzanne Lenglen para a estreia contra Tobias Kamke. Não foi um jogo muito bom do suíço, mas ele sabia que não precisava ser. Federer não queria gastar energia e recusou o desespero, mesmo quando foi quebrado sacando para o jogo. Mas a melhor parte foi a festinha que o torneio promoveu para Federer por causa do recorde de vitórias em Grand Slam. Ele simplesmente NÃO SABIA DE NADA até que contaram. Um ótimo exemplo de como esses números são às vezes mais importantes para a imprensa do que para os jogadores.
Chegou a hora dos brasileiros. John Isner fez um jogo rotina contra Rogerinho, sacando bem, ser dar nenhuma chance de longas trocas ao brasileiro. Isner também abusou do forehand contra o backhand de uma mão do brasileiro para conseguir as quebras necessárias. De qualquer maneira, foi uma participação boa de Little Roger em Paris. Cumpriu seu papel.
Bellucci x Troicki. Okay. Esse jogo tinha tudo para dar errado desde que surgiu na chave e, infelizmente, foi um absoluto desastre. O brasileiro venceu um set disputado, desapareceu no segundo, saiu do túmulo no terceiro, voltou para ele no quarto. Após sofrer quebra no quinto, teve infinitas chances no 1/3 e não devolveu. Cansado, triste, conformado. Uma cena que vimos tantas vezes e não cansa de machucar. Se dói na gente, imagino como é ruim para ele.
Vi apenas o tiebreak do primeiro set de Djokovic contra Potito Starace. O sérvio não parecia muito disposto a atropelar também e foi levando a partida até o italiano não aguentar mais. A postura “Nadal já ganhou, não falem de mim” de Nole é interessante. Mas duvido que ele não esteja traçando estratégias para semi e final desde já.
David Nalbandian decepcionou, Feliciano López abandonou e não vai às Olimpíadas. Uma verdadeira pena, já que teria muito mais chance na grama do que Verdasco, Almagro e Ferrer. Tomas Berdych passeou na quadra 7, Raonic e Tomic venceram bem, Ernests Gulbis lutou como nunca e perdeu como sempre.
A partida interrompida entre Anderson e Machado voltou no 7/7 e terminou em 11/9 para o sacador sul-africano. Malek Jaziri (aquele que perdeu convite em Dubai para o Marko Djokovic) levantou a bandeira da Tunísia ao ganhar o primeiro jogo de Slam da história do país. Paul-Henri Mathieu foi outro herói nacional ao virar no quinto set contra Bjorn Phau, com direito a “pneu”.
Enquanto isso, as meninas trouxeram poucas surpresas. Mona Barthel foi atropelada, Vera Zvonareva desistiu antes da estreia e Sabine Lisicki já pensa na grama. Na Li segurou muito bem a bronca de estrear como atual campeã, Marion Bartoli venceu bem, Jelena Jankovic dramatizou, como sempre. Num dos últimos jogos da rodada, Agnieszka Radwanska cedeu apenas um game a Bojana Jovanovski e deixou Venus Williams com os olhos bem abertos.
Brian Baker decidiu continuar “mitando” e derrotou Xavier Malisse em sets diretos (se bem que o belga não é muito parâmetro recentemente) e pega Gilles Simon, que jogou mal, mas venceu Ryan Harrison. Vamos ver como Baker reagirá enfrentando uma torcida hostil. Quando Alexandr Dolgopolov empatou contra Sergiy Stakhovsky e Tommy Haas abriu vantagem contra Filippo Volandri, o sol de Paris deu adeus.
Nadal, Murray, Sharapova, Schiavone, Serena... a terça-feira promete muito.
Diário de Roland Garros, dia 1
às
15h40
por
Sheila Vieira
É, o dia foi chato, mas teve alguns destaques. Vamos a eles.
Jogos de tenistas que costumam sofrer na estreia, mas atropelaram:
Sam Stosur abrindo programação do dia inicial: sempre preocupante. Mas a australiana pegou uma adversária bem menos perigosa do que Sorana Cirstea, a veterana britânica Elena Baltacha, e fez uma boa partida. Melhor ainda foi Ana Ivanovic, bastante agressiva contra a espanhola Lara Arruabarrena-Vecino. Se a sérvia continuar confiante, pode beliscar uma semifinal.
Jogo de brasileiro:
Feijão abandonou no segundo set contra o talentoso Cedrik-Marcel Stebe. Portanto, temos Little Roger, que precisará jogar muito para derrotar John Isner, e Thomaz Bellucci desafiando Viktor Troicki. O sérvio não está jogando tão mal quanto no início do ano. Troicki é favorito, a não ser que Bellucci evoque o espírito madrileno de 2011.
Jogos dos favoritos que deram um susto, mas venceram:
Stan Wawrinka venceu os dois primeiros sets contra o italiano Flavio Cipolla e decidiu dar o susto habitual em sua fã Marília Nunes. O suíço perdeu os dois sets seguintes e levou apenas no quinto, fazendo uma hora extra. Juan Martin del Potro cedeu um set a Albert Montañes, choramingou por causa do joelho, que foi enfaixado, voltou metendo a mão na bola e atropelou.
Na quadra central, Jo-Wilfried Tsonga foi surpreendido pelo belo tênis de Andrey Kuznetsov. Depois de tomar 6/1 no primeiro set, o francês percebeu que teria que dar um gás e virou sem problemas. A jovem argentina Paula Ormaechea foi uma adversária bem mais dura do que Venus Williams esperava, obrigando a norte-americana a ser muito agressiva para prevalecer no terceiro set.
Jogos das "zebras" que não foram "zebras":
Andy Roddick fez uma pausa após Miami, voltou na semana passada em Dusseldorf, perdeu três jogos (incluindo um para Go Soeda) e pegaria um francês na estreia. Era difícil dar certo. Com uma movimentação péssima, o serviço fraco e pouca agressividade, Roddick permitiu que Mahut dominasse até da linha de base, sem precisar recorrer todo o tempo à rede. O norte-americano chegou a ter quebra de vantagem no quarto set, mas não conseguiu reverter. Já Jurgen Melzer estava com dois sets de vantagem e levou a virada de Michael Berrer.
Winner do dia: Melanie Oudin! Que voltou a vencer uma partida de Slam após quase dois anos. Believe!
Dupla-falta do dia: Anastasia Rodionova, que deu um piti ao perder na estreia, não cumprimentou o árbitro e saiu vaiada de quadra.