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Confusão olímpica
às 14h09 por Sheila Vieira

Estamos apreensivos para saber se Thomaz Bellucci, Marcelo Melo e Bruno Soares poderão representar o país nas Olimpíadas. A lista final com todos os tenistas que irão a Londres será divulgada apenas dia 28 de junho, mas as federações nacionais já mandaram suas fichas de inscrição e, nas próximas duas semanas, teremos muitas reclamações e bate-bocas.

O motivo é que, enquanto alguns países fariam de tudo para ter um tenista nas chaves das Olimpíadas, outros que possuem vários jogadores entre os melhores do mundo decidem simplesmente não levá-los. Não querem investir em alguém que, em tese, não tem chances de medalha.

A Alemanha tem o caso mais inacreditável. Florian Mayer, Philipp Kohlschreiber e Julia Goerges estão entre os 40 melhores do mundo, porém, estão com suas vagas negadas até o momento. O Comitê Olímpico Nacional exige que os tenistas classificados estejam entre os 24 melhores do mundo (Goerges é a 25ª) e tenham, pelo menos, quartas de final de Grand Slam na carreira. Na Alemanha, apenas atendem aos requistos Angelique Kerber, Sabine Lisicki e Andrea Petkovic, jogadora que dificilmente irá a Londres, por conta de uma lesão no tornozelo.

Quem também teve sua vaga negada foi a sueca Sofia Arvidsson, número 48 do mundo. Ao saber que havia sido cortada pela federação, a tenista usou o Twitter para mostrar sua frustração: "Há países que têm orgulho de que seus atletas se classifiquem para as Olimpíadas. Queria ser um deles. Lutei tanto para conseguir meu lugar e agora ele foi tirado de mim pelo meu próprio país".

Nessa semana, veio à tona a polêmica decisão da federação indiana em relação às duplas. Leander Paes, top 10, foi indicado para jogar com Mahesh Bhupathi, que havia rompido a parceria com o desafeto para formar dupla com Rohan Bopanna. Segundo os tenistas, a Índia poderia levar duas duplas e indicar outro jogador para jogar com Paes. Saiba mais detalhes sobre essa história.

O caso mais antigo de conflito entre a federação e uma tenista é o de Marion Bartoli. A número 1 da França, que já foi finalista de Wimbledon, não é chamada para a Fed Cup por não abrir mão de seu pai como treinador durante os confrontos. A razão oficial da exclusão de Bartoli dos Jogos é a ausência na Fed, mas a realidade é que a federação simplesmente não quer fazer nada para ajudá-la.

Esse é um problema que a ITF precisa resolver. A entidade perde credibilidade ao estabelecer um conjunto de regras que pode ser simplesmente rasgado por cada país, sem levar em conta todo o esforço dos jogadores.

Por mais que isso aconteça em outros esportes, o tênis é uma modalidade que não sobrevive apenas com os 10 melhores. As chaves são grandes e surpresas podem acontecer. Alguém que chega a um torneio sem nenhuma chance pode fazer uma bela partida, pegar uma chave aberta e se destacar. Se os comitês levassem apenas os grandes favoritos, o formato teria que ser então o de um ATP Finals, apenas com oito candidatos.

Os tenistas estão fazendo um grande esforço para deixar o esporte mais integrado aos Jogos. A geração atual é, com folga, a que mais valoriza o torneio. Roger Federer diz que é seu sonho ser campeão olímpico, Rafael Nadal tem a sua medalha e, entre os principais tenistas, apenas Mardy Fish não quer ir. Porém, para que essa integração seja completa, é necessário que as federações e os comitês valorizem seus atletas, que se sustentam a temporada inteira pagando passagens, treinadores e hotéis para subir no ranking. Eles não merecem que seus sonhos olímpicos sejam destruídos.


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10 jogos mais malucos de Roland Garros
às 17h56 por Sheila Vieira

É o último post sobre o torneio, prometo! Apesar do final um tanto previsível, Roland Garros teve uma série de jogos que causaram ansiedade e surtos em frente à televisão. Vamos então lembrar os dez principais?

Virginie Razzano v. Serena Williams (primeira rodada)
A primeira derrota em estreias de Grand Slam de Serena, justamente contra uma francesa em Roland Garros. Mesmo se fosse 6/1 6/1, já seria uma partida para nunca esquecer. Mas o drama foi insuperável: Serena ganhou o primeiro set e abriu 5-1 no tiebreak do segundo. Então, do nada, desmoronou e perdeu seis pontos seguidos. Ela segurou as lágrimas, voltou desolada para a quadra e perdeu cinco games. Razzano, com a torcida enlouquecida ao seu lado, teria duas chances de fechar a partida. Falhou na primeira. Na segunda, bem... um dos games mais incríveis dos últimos anos aconteceu durante 23 minutos. A francesa ganhou.

Novak Djokovic v. Jo-Wilfried Tsonga (quartas de final)
O primeiro set durou 21 minutos. 6/1 para Djokovic. Mas o sérvio não jogava exatamente bem. Com um pouco mais de agressividade e o apoio do público, Tsonga ganhou o segundo set, depois o terceiro. Faltava um. E teria que ser o quarto, já que Djokovic entraria bem mais forte mentalmente no quinto. Jo chegou lá. Quatro match-points! Porém, o número 1 salvou todos, ganhou um tiebreak por 8-6, fez 6/1 no quinto set e deixou Tsonga chocado em seu banco.

Paul-Henri Mathieu v. John Isner (segunda rodada)
Mais um capítulo do histórico impressionante de jogos de Isner decididos no MÍNIMOS DETALHES. Nesse caso, após 34 games no quinto set. O francês, quase aposentado, passou pela estreia após cinco sets, mas quem cansou foi o norte-americano. Isner teve a mesma sensação de Nicolas Mahut NAQUELE jogo em Wimbledon: sacar depois é péssimo. O gigante caiu, a torcida cantou e Mathieu parou na terceira rodada após mais uma partida de cinco sets.

Roger Federer v. Juan Martin del Potro (quartas de final)

O suíço não vinha num bom torneio. Havia perdido sets para Adrian Ungur, Nicolas Mahut e até para David Goffin, seu fã. Já Delpo vinha sofrendo com uma lesão no joelho esquerdo, mas venceu suas partidas, inclusive contra Tomas Berdych. O argentino começou impondo o jogo que queria: quem-bate-mais-forte. Depois de abrir dois sets de vantagem e deixar Fed maluco (shut up!), Delpo “esqueceu” que, nos Slams, ele precisa vencer três sets. Mentira, ele sabia disso. Só não conseguiu colocar em prática.

Rafael Nadal v. Novak Djokovic (final)

Foi um jogo maluco por pouco mais de um set. O espanhol vencia com certa facilidade, até que Djokovic se viu sem mais nenhum compromisso e jogou livre, leve e solto. Rafa perdeu oito games seguidos em Roland Garros. Deixou o terceiro set escapar e sofreu uma quebra no início do quarto. Flashbacks do Australian Open! Será que Djokovic transformaria o jogo numa maratona e frustraria Nadal? A chuva disse que, se isso acontecesse, seria só na segunda-feira. O sérvio perdeu seu saque logo de cara e Rafa se manteve firme para conquistar o heptacampeonato.

Kaia Kanepi v. Caroline Wozniacki (terceira rodada)
Dos jogos que eu vi de Roland Garros, provavelmente foi o pior, tecnicamente falando. Porém, como estamos falando de maluquice, impossível não lembrar da sucessão de surtos e tremedeiras dessa partida. Kanepi ganhou o primeiro set e conseguiu uma quebra de saque que deixou Wozniacki reclamando por minutos com o juiz de cadeira, incluindo um “você foi para a escola?”. A estoniana abriu 5/1, sacou três vezes para fechar o jogo e, mesmo assim deixou a dinamarquesa ganhar a parcial. Terceiro set: Kanepi abre 5/1 de novo, é quebrada, mas confirma na segunda chance após alguns break-points salvos. E ainda teve a coragem de desenhar um coração na quadra.

Novak Djokovic v. Andreas Seppi (oitavas de final)
A vida do sérvio realmente não foi fácil em Roland Garros. Seppi jogou muito bem e venceu o primeiro set. Djokovic foi melhor no segundo, mas acabou perdendo no tiebreak. A situação era parecida com a de Federer x Del Potro, com a diferença de que o jogo continuou disputado até o quinto set. Mal sabia Djokovic que as emoções estavam apenas começando.

Jo-Wilfried Tsonga v. Stanislas Wawrinka (oitavas de final)
Há um ano, Stan estava perdendo para Tsonga em Roland Garros por 2 sets a zero e virou no quinto. Quanto mais se alongava a partida entre o suíço e o francês, mais parecia que a história seria repetida. Wawrinka lutou demais contra Tsonga e o público para chegar ao set final. Porém, o tenista da casa conseguiu uma quebra antes da luz terminar o dia. Jo voltou com a mesma disposição do dia anterior e deixou Stan à beira das lágrimas. Curiosamente, como o próprio Tsonga ficaria na rodada seguinte.

Victoria Azarenka v. Alberta Brianti (primeira rodada)
Com a chave mais fácil entre as quatro primeiras cabeças de chave, Vika era grande favorita para fazer semifinal. Mas, logo no primeiro jogo, a bielorrussa já indicava que as coisas não estavam bem. Diante de Brianti, Azarenka perdeu o primeiro set e estava 4/0 abaixo no segundo. A italiana até teve break-point para sacar em 5/0. A então número 1 viu a adversária sentir a pressão e permitir a virada, mas não conseguiu fazer o mesmo contra Dominika Cibulkova nas oitavas.

Sara Errani v. Ana Ivanovic (terceira rodada)
Também conhecido como o primeiro grande impacto que a italiana causou em Roland Garros. Ivanovic teve a vantagem no terceiro set, mas Errani foi segura e tirou a campeã de 2008. Nas oitavas, deixaria pelo caminho a vencedora de 2009, Svetlana Kuznetsova, com facilidade. Angelique Kerber e Samantha Stosur foram outras vítimas da italiana até a decisão, mas tudo começou nessa partida, perdida por Ivanovic nos nervos.

Menções honrosas: Simon v. Baker, Anderson v. Machado, Granollers v. Jaziri, Gasquet v. Dimitrov, Errani v. Kerber, Shvedova v. Li, Murray v. Nieminen.


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5 momentos bizarros de Roland Garros
às 09h56 por Sheila Vieira

Não precisa de introdução, certo? Vamos direto às bizarrices da 111ª edição de Roland Garros!

Gasquet e Dimitrov mostrando todo seu preparo físico. Só que ao contrário.

O jogo (pela terceira rodada) ainda estava disputado. Dimitrov havia vencido o primeiro set e dava um sufoco no segundo. Então ocorreu esse rali de 38 bolas que deixou o francês vomitando e o búlgaro tendo cãibras e revelando a cueca. Depois de darem risada, todos perceberam que, na verdade, a reação dos tenistas a esse ponto não é muito comum entre jogadores de ponta. Em diversos jogos, vimos ralis de 40 bolas em que os atletas ficavam cansados, mas simplesmente pegavam a toalha, respiravam e continuavam. Definitivamente, só talento não resolve.

Youzhny pede 'desculpi'

Para quem já cortou a própria cabeça com a raquete e, bem, nasceu na Rússia, Youzhny não surpreendeu tanto assim ao fazer uma fanfarronice em Roland Garros. Tomando uma bela surra de David Ferrer, Misha decidiu se desculpar com o público escrevendo "sorri" [sic] no saibro. Não supera o coração do Guga, mas entendemos o esforço.

Nadal ganha um ponto depois de cair sentado

Sério. Tinha como ele não ser campeão depois disso?

Bogomolov abandona o jogo no match-point

Não há vídeo (que eu tenha encontrado), mas aconteceu. O ex-americano-atual-russo estava no quinto set contra Arnaud Clement , sacava com match-point contra e... abandonou. Como o jogo aconteceu uma quadra sem transmissão, não ficou muito claro o que ocorreu a princípio. Os jornalistas em Paris começaram a relatar que Bogomolov estava com cãibras e saiu vaiado de quadra. Clement foi compreensivo e pediu para a torcida respeitá-lo. O russo confirmou que não conseguia sacar ou andar (ele realmente saiu carregado), não podia receber tratamento (o que é verdade) e não queria arriscar algum músculo ou ligamento. 

 

Federer mandando a galera calar a boca

Todo e qualquer momento de destempero de Roger deve ser guardado e polido como uma relíquia. Favorite o vídeo e o gif!

 

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Diário de Roland Garros, dia 15
às 11h01 por Sheila Vieira

Há um ano, escrevi um texto no meu antigo blog chamado "Missão Cumprida". Havia uma foto de Nadal, sentado no vestiário sem tênis, com as pernas esticadas, as meias cheias de saibro, olhando para o troféu de Roland Garros. Ele chegara em Paris após ter sofrido duas derrotas em finais para Novak Djokovic no saibro. Pela primeira vez, não era favorito. A probabilidade de perder a liderança do ranking era enorme. Mas tudo deu certo no final.

Rafa chegou a Paris neste ano muito mais confiante. Dominou completamente a temporada na quadra lenta (sim, isso exclui o saibro smurf), vencendo Djokovic em duas finais. As primeiras rodadas não deixaram dúvida de quem estava jogando melhor. Enquanto Roger Federer perdia sets para desconhecidos, veteranos e até tenista que tinha foto sua no quarto, e Djokovic sobrevivia a cada rodada, Nadal esmagava especialistas de saibro como Juan Mónaco, Nicolás Almagro e David Ferrer.

Qualquer resultado da final seria histórico: o recorde de títulos em Roland Garros ou a conquista dos quatro Slams consecutivos. Mas o sérvio estava mais pressionado (e isso ficou bem claro nos primeiros games) porque sabia que não teria outra chance de fazer isso. Ganhar Roland Garros? Sim. Mas não vencer os quatro seguidos. Já o sétimo título de Nadal em Paris inevitavelmente aconteceria em alguma temporada.

De qualquer forma, mesmo se os papéis estivessem invertidos, difícil imaginar que Rafa começaria a partida tão apático quanto o sérvio. Jogando com segurança, defendendo com perfeição e sendo assustadoramente preciso em seus ataques, Nadal venceu um set, dois, quebrou no terceiro. Revoltado, Nole destruiu seu banco com a raquete. Mentalmente derrotado.

Porém, Djokovic continuou sendo o highlander de sempre: de repente, perdeu o medo e fez winners de todas as posições e lados, deixando Rafa cada vez mais nervoso. Foram oito games seguidos. Provavelmente, ninguém mais fará isso contra o espanhol em Roland Garros. Tudo incomodava Nadal nesse momento: a garoa, as bolas, mesmo os golpes mais corriqueiros.

A paralisação, após uma importante confirmação de serviço de Nadal, eliminou o desequilíbrio emocional do jogo. Nole é um tenista que precisa de embalo, drama, joga seu melhor com o instinto. Rafa é mais "inteligente". Seja no 0/1, 4/2, 5/6, 0-15, 40-0, ele costuma manter a intensidade e, além disso, começa bem os jogos.

A chance de Djokovic manter o clima de domingo era confirmar seu primeiro serviço na volta da partida e abrir 3/1. Foi quebrado e deixou a linha de chegada ao alcance do olhar de Rafa. Era uma questão de tempo. Nole sobreviveu ao 4/5, mas não ao 5/6. Não faltarão outras chances para o sérvio vencer Roland Garros. Ele sabe disso.

Ao contrário da maioria dos Slams que ganhou, desta vez, Rafa não caiu de costas. Ele ajoelhou, escalou as cadeiras, abraçou a família e não conteve a felicidade no seu banco. Tentou falar francês e não conseguiu (ele tentou!), bateu com o troféu na cara, ficou adoravelmente sem jeito. Parecia um menino de 19 anos. Aquele que venceu Roland Garros pela primeira vez. Não tem mais camisa regata, bermuda longa ou cabelo grande. Mas o sorriso tímido é o mesmo. Vida longa a Rafa Nadal.

Obs: esse não será o último post sobre Roland Garros. Aguardem no local. 


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