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Sobre calendário e preparação
às 12h00 por Sheila Vieira

Enquanto você ainda está curando a ressaca, voltando da praia ou trabalhando com preguiça, os tenistas estão na quarta marcha, preparados para engatar a quinta em Melbourne. Novak Djokovic, Roger Federer e Andy Murray são os candidatos óbvios ao título do Australian Open, com David Ferrer, Tomas Berdych e Juan Martin del Potro correndo por fora.

Apesar de terem chances parecidas, os três primeiros do ranking tiveram agendas bem diferentes desde o ATP Finals até agora. Vamos relembrar:

FEDERER

Após o vice-campeonato em Londres, o suíço mais célebre do mundo tirou duas semanas de férias, que resultaram nesta foto:

Federer então viajou pela América do Sul por duas semanas, que foram tão desgastantes quanto um torneio normal. Não pelos quatro jogos em si, mas por causa dos inúmeros compromissos fora de quadra, como a suada visita ao Mercadão. Em seguida, passou rapidamente pela Suíça para receber o prêmio de atleta do país em 2012. Lá pela terceira semana de dezembro, Federer começou a pré-temporada em Dubai.

Por conta dessas atividades, Federer deu uma 'banana' aos sheiks em Abu Dhabi e Doha, começando o ano direto em Melbourne. Na verdade, o calendário que o suíço apresentou tem algumas 'bananas': para Copa Davis - apesar de que nada o impede de jogar a repescagem -, Basileia (que ele escolheu em 2012 ao invés de Paris e acabou perdendo o número 1) e Miami, onde ele defende poucos pontos e ainda foge das reuniões da ATP que acontecem lá. Não podemos também esquecer do já esperado não a Monte Carlo.

Com 31 anos de idade e nada a provar, Federer tem o direito de 'parar de agradar' algumas pessoas. A escolha é dele. Ao invés de ganhar um cheque generoso para jogar em frente a 30 pessoas no Oriente Médio, o suíço resolveu realizar o sonho dos fãs sul-americanos, faturando o mesmo. É bem justo. A Copa Davis é um torneio que ele sabe que não vencerá. Já a questão da Basileia (a mais delicada por ser sua cidade natal) me parece uma tentativa de pressionar a ATP para acabar com as três semanas seguidas no fim do ano.

Para ocupar a liderança por quatro meses em 2012, Federer precisou fazer adições ao seu calendário. Porém, a prioridade agora certamente não é essa. 2013 é um ano fundamental para o futuro do suíço. Se ele ganhar um ou mais Slam e pelo menos brigar pela ponta com Djokovic, é um sinal que ainda há muito combustível de reserva. Porém, se Federer passar em branco e cair no ranking, é provável que comece a projetar uma data para o fim, seja em 2014, 2015 ou 2020.

DJOKOVIC

Campeão do Finals, Djokovic resolveu continuar no embalo antes de descansar e fez algumas exibições, incluindo a contra Guga no Rio. Então tirou folga, participou de um evento em Londres e de uma exibição fechada nas Ilhas Virgens. Depois foi a Monte Carlo, onde mora, terminar a preparação.

Já que Federer e Nadal não estiveram por lá, Nole salvou (em parte) a vida dos sheiks de Abu Dhabi e ganhou o título. Nesta semana, está jogando a Copa Hopman com a amiga de infância Ana Ivanovic. É uma boa escolha. A derrota para Bernard Tomic em Perth não causou muito estardalhaço. Se perdesse em Brisbane, o sinal amarelo já estaria aceso.

Após Melbourne, a grande adição no calendário de Djokovic é a Copa Davis. Sua última partida no torneio foi o doloroso abandono na semifinal de 2011 contra Del Potro, poucos dias após a final do US Open. Com Viktor Troicki em fase deplorável, a Sérvia precisa de Djokovic para permanecer tranquila no Grupo Mundial.

Djokovic falou que só cresceu e recuperou a liderança no fim do ano porque chegou inteiro até essa parte da temporada, uma lição que aprendeu em 2011. As expectativas sobre ele talvez nunca foram tão grandes como agora. Em 2012, era esperado que ele não conseguisse repetir a série de vitórias e caísse um pouco. Porém, agora, ficar na ponta é quase uma obrigação para o sérvio.

MURRAY

O britânico fez uma exibição em Miami, onde treina nessa época, e jogou em Abu Dhabi antes de ir a Brisbane. Chamar o que Murray faz de pré-temporada não dá uma dimensão muito exata de sua carga de treinamento. Os relatos dos jornalistas britânicos que foram convidados para acompanhar um dia deram a entender que se tratava de um atleta se preparando para o Iron Man.

Murray, que curiosamente tinha preguiça de treinar quando adolescente, tornou-se um verdadeiro viciado em preparo físico. O escocês já disse que o motivo de ter demorado tanto pra se recuperar da derrota na final australiana de 2011 foi porque ele lembrou que havia passado o Natal de 2010 correndo na praia de Miami sozinho.

Os Murray geralmente antecipam a ceia para o começo de dezembro, para que ele possa trabalhar sem interrupções depois. Acho que deu para entender. Seja por esse 'campo' ou não, o fato é que Murray sempre joga bem no Australian Open. Foi vice-campeão em 2010 e 2011 e perdeu uma semifinal insana pra Djokovic em 2012.

Durante a maior parte de sua carreira, Murray jogava muito bem nos torneios Masters 1000 e deixava a desejar nas últimas rodadas de Slam. O ano passado foi o inverso: Murray conseguiu dois títulos históricos, mas 'fracassou' nos Masters (duas finais é algo abaixo do seu padrão). O único título além das Olimpíadas e do US Open foi Brisbane, um ATP 250. O desafio de Murray pra 2013 é conciliar esses dois mundos.

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